Cresci habituado a não encontrar nos meus ídolos e nas pessoas que admiro as mesmas combinações de interesses que tive e que tenho. Assim, quando li pela primeira vez a poesia de Ramiro S. Osório, somou-se à experiência sempre entusiasmante de encontrar um poeta com uma voz muito própria uma sensação imediata de empatia e comunhão de interesses que é raro experimentar. Nos versos em epígrafe, vê-lo louvar o surf, através de Baudelaire, 

enquanto relação estética com o mar, enquanto interacção física que ultrapassa a reprodução mecânica da fotografia, para além de sugerir, embrionariamente, muito do que vou procurar discutir neste texto, aproxima duas áreas da vida cujas afinidades sempre intuí mas que sempre me habituei a encontrar afastadas. Este tipo de encontro mais ou menos inesperado é também o que se dá em In Praise of Athletic Beauty, de Hans Ulrich Gumbrecht.

 

 

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Foto: Go Skateboarding Day 2013, Chihuahua, México © Leo Martínez