Vou ser muito sincera, sinto-me dividida no que diz respeito a esta questão do Dylan.

Meio mundo a favor, meio mundo contra… Como tudo na vida. Posso dizer que me insiro nas duas metades. Desde pequena que Dylan está muito presente nas minhas escolhas musicais, daí ser um bocado suspeita. Dylan é um óptimo letrista sim, dedicando muito do seu tempo à escrita, tal como demonstra em livros como Tarantula ou Chronicles.

Acho que foi uma escolha inteligente por parte da Academia Sueca escolhê-lo para Nobel da Literatura, uma vez que assim se podem abrir portas a outro tipo de escritores. Com argumentistas tão bons, porque não dar o Nobel da Literatura a um argumentista ou até mesmo a um humorista? Nem toda a gente consegue abordar assuntos importantes utilizando uma boa dose de sarcasmo que puxa a gargalhada; George Carlin é um exemplo disso.

A meu ver a Academia Sueca fez uma jogada bastante inteligente. Não vou dizer que sou a favor ou contra o Nobel ter ido para Dylan: como disse anteriormente sinto-me dividida no que toca a esta decisão!

Suponho que a problemática aqui remete para o porquê de ter sido um músico o escolhido e não um escritor consagrado, como por exemplo Cormac McCarthy.

Presumo que, hoje em dia, se deva ter um espírito mais aberto em relação ao que é considerado como «literatura».

Não vou escolher ninguém, porque a escolha de uma só pessoa se ia demonstrar difícil. Há muitos génios por aí e é sempre injusto deixar alguém de fora.

Porque não confiar na escolha dos críticos literários? Se olharmos em retrospectiva, vemos que grandes nomes foram escolhidos; porque é que haveríamos de pôr em causa essas escolhas? Casos existiram que causaram alguma polémica, mas a verdade é que, se todas as escolhas fossem «previsíveis», como é que poderíamos expandir horizontes e perceber que existem outras pessoas e outras formas literárias que podem contribuir, talvez de maneira diferente, para o mesmo fim?

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