Se a guerra for, como Carl von Clausewitz[1] famosamente propôs, «apenas a Continuação da Política por outros meios» (Clausewitz, 28), o objectivo ulterior de qualquer acção militar terá necessariamente de ser a paz (Clausewitz, 110), ou seja, o fim do conflito armado. Esta finalidade aparentemente contraintuitiva percebe-se melhor se aceitarmos outra das definições de Clausewitz, a de que a guerra é «um acto de força para compelir o inimigo a obedecer à nossa vontade» (Clausewitz, 13). Se a guerra serve para impor a vontade daquele que exerce a força sobre o inimigo, serve necessariamente para impor a paz nos termos desse agressor.[2] Não obstante estas considerações genéricas, Clausewitz acredita que, na guerra, «é mais fácil defender do que atacar». Isto porque é mais fácil manter um terreno do que tomá-lo» (Clausewitz, 159). Sendo que a diferença fundamental entre a acção de defender e a acção de atacar está no conceito de iniciativa, Clausewitz parece assim considerar que é intrinsecamente mais forte aquele que não assume essa iniciativa.[3] Pelo contrário, estou convencido de que, quando duas forças equivalentes se opõem (e isto serve para a guerra, mas também para qualquer jogo cujo objectivo seja superar um adversário), é aquela que assume a iniciativa que tem a vantagem teórica. E creio que o triunfo de Napoleão na batalha dos Três Imperadores,[4] nos arredores de Austerlitz, em Dezembro de 1805, ajuda a elucidar esta convicção.

Em Agosto de 1805, a Inglaterra, a Rússia, a Áustria, a Suécia e Nápoles formaram a Terceira Coligação contra a França. De acordo com Ian Castle, em Austerlitz 1805: the Fate of Empires, a estratégia dos aliados pressupunha uma ofensiva em 3 frentes, e foi posta em prática de imediato. A norte, uma força conjunta russa e sueca, com o apoio britânico, deveria atacar Hanover, ficando em posição de ameaçar a Holanda. A sul, uma força composta por tropas russas, britânicas e napolitanas deveria invadir o sul de França pela Itália. Era ao centro, contudo, que a maior parte das forças aliadas se encontravam. Dos três exércitos russos, o principal era o do marechal Kutuzov, que deveria atravessar a Áustria de modo a encontrar-se com um dos três exércitos austríacos, sob comando do arquiduque Fernando (na prática, o comando pertencia ao general Mack), na Baviera. Atrás de Kutuzov viria um segundo exército russo, comandado pelo general Buxhöwden, que deveria apoiar o exército de Kutuzov ou o terceiro exército russo, sob o comando do general Bennigsen, que avançaria a norte, pela Boémia, de modo a proteger o flanco direito de Kutuzov. A sul dos três exércitos russos, entrariam em acção o exército austríaco comandado pelo arquiduque João, com o objectivo de defender o Tirol e manter a ligação com o norte da Itália, e o exército austríaco comandado pelo arquiduque Carlos, que tinha por missão expulsar os franceses da Lombardia e posteriormente, juntar-se aos exércitos do arquiduque Fernando e do marechal Kutuzov nas manobras na Baviera (ver figura 1).

Figura 1: Estratégia da Terceira Coligação, em Agosto de 1805. Austerlitz 1805 (p. 9) © Osprey Publishing, part of Bloomsbury

Figura 1: Estratégia da Terceira Coligação, em Agosto de 1805.
Austerlitz 1805 (p. 9) © Osprey Publishing, part of Bloomsbury

Assim que tomou conhecimento das intenções dos aliados no final de Agosto, Napoleão mobilizou a Grand Armée[5] (estacionada junto à costa norte francesa de modo a iniciarinvasão da Grã-Bretanha) para a margem ocidental do Reno, aonde chega a 22 de Setembro, numa altura em que o exército russo de Kutuzov ainda se encontrava na fronteira com a Morávia e, portanto, longe para poder auxiliar o exército austríaco do general Mack contra os franceses. Duas semanas antes, Mack atravessara o rio Inn e entrara na Baviera. Descobrindo que não contaria afinal com os 22 mil bávaros, que se tinham aliado aos franceses, assumira uma posição junto ao rio Iller, perto da cidade de Ulm. Napoleão começa por iludir Mack com uma manobra de diversão: a Reserva de Cavalaria do marechal Murat e a Guarda Imperial avançam pela Floresta Negra, dando a entender que os franceses planeavam atravessar o Reno por aquela zona, mas voltam para trás. Na verdade, o grosso do exército francês avançava a norte do Danúbio, começando a atravessá-lo a 7 de Outubro em Donauwörth (a leste de Ulm). Surpreendido, Mack não recuou para leste, de modo a não abandonar o Tirol aos franceses, nem procurou refugiar-se no Tirol para não expor o exército de Kutuzov à força total do exército de Napoleão. A 13 de Outubro, sabendo que a maior parte das forças francesas já estavam a sul do Danúbio, iniciou a retirada de Ulm, marchando em 2 colunas para nordeste de modo a reunir com os russos na Boémia. No mesmo dia, recebeu a notícia de que os ingleses tinham desembarcado na costa francesa e de que havia uma revolução em França. Assim se explicava por que motivo os franceses avançavam para Ulm pelo sul do Danúbio, quando podiam ter investido contra a cidade directamente, sem ter atravessado o rio (Ulm fica na margem norte do Danúbio): Napoleão estava a tentar retirar para o Reno pela margem segura do Danúbio. Com esta informação, Mack abandonou a ideia da retirada e decidiu evitar a retirada francesa. Só mais tarde perceberia que tinha sido enganado por um espião francês. Uma das colunas austríacas regressa a Ulm, enquanto a outra continua a avançar para Elchingen, onde é interceptada pelo VI corpo do marechal Ney. A 15 de Outubro, Mack estava cercado em Ulm. Limitando-se a definir uma posição defensiva, Mack esperava que Napoleão chegasse a Ulm por oeste. A sua estratégia não pressupunha a possibilidade de Napoleão atravessar o Danúbio a norte da posição em que se encontrava, e muito menos a possibilidade de isolá-lo em Ulm. Entregando a iniciativa ao inimigo, por não considerar que ele pudesse fazer alguma coisa extraordinária com ela, Mack entregou a Napoleão a possibilidade de ludibriá-lo. A 19 de Outubro, 60 mil austríacos saíam de Ulm sob cativeiro.

Depois da impressionante vitória em Ulm, a Grand Armée de Napoleão perseguiu os russos ao longo do Danúbio. Essa perseguição foi interrompida a 20 de Novembro, depois de o exército de Kutuzov se reunir em Olmütz, na Moravia, com outro exército russo, sob o comando do general Buxhöwden, e com o resto do exército austríaco que escapara ao cerco de Ulm. A vanguarda do exército francês (apenas a Guarda Imperial, o IV corpo do marechal Soult, o V corpo do marechal Lannes e o corpo de Reserva de Cavalaria do marechal Murat)[6] ficara a sudoeste dessa posição, entre as cidades de Brunn e Wischau. Sabendo que os aliados não tinham nada a ganhar em enfrentá-lo naquele momento, dado que a Prússia entraria na guerra e reforçaria a aliança a qualquer altura, Napoleão precisava de provocar o conflito. Boa parte dos preparativos para a batalha de Austerlitz consistiram, pois, em convencer o inimigo a assumir a iniciativa de atacar. De facto, de nada servia a Napoleão a iniciativa de enfrentar um inimigo que, não ganhando nada em combater, podia continuar a retirar. A única maneira de manter essa iniciativa, e por isso a vantagem teórica que ela acarreta, seria fingir abdicar dela. Ao fazê-lo, abdicava de facto do ataque, mas não da iniciativa propriamente dita, que se traduziria na acção de induzir o inimigo a atacá-lo. Para tal, Napoleão começou por posicionar deliberadamente as suas tropas a leste de Austerlitz, mas não atacou, permitindo inclusivamente que Murat perdesse a posição de vanguarda em Wischau. A intenção era fazer com que os aliados acreditassem que hesitava. De seguida, enviou o general Savary supostamente para negociar um acordo de paz, e o general informou Napoleão da vontade que o Czar Alexandre teria em combater. Na verdade, os russos tinham 3 soluções: 1) manter a posição e esperar pelo exército do Arquiduque Carlos, que estava a retirar da Itália pela Hungria e já se juntara ao exército do Arquiduque João; 2) retirar para a Hungria, de modo a reunir com o Arquiduque Carlos mais rapidamente, ou continuar a retirada para leste levando os franceses atrás; ou 3) enfrentar Napoleão. Kutuzov defendia a segunda solução, mas o círculo de oficiais próximos do Czar Alexandre pretendia o ataque e convenceram o jovem soberano de que era chegado o seu momento de glória. Napoleão voltou a enviar o general Savary ao quartel-general aliado com um pedido para o Czar se encontrar pessoalmente com Napoleão, de modo a manter a farsa de que continuava a interessar-lhe negociar, e ordenou que o seu exército abandonasse a posição que garantira nas colinas de Pratzen (entre Brunn e Austerlitz). Abandonar aquela posição altamente favorável, na perspectiva dos aliados, só podia ser um sinal de fraqueza. Ao mesmo tempo que a abandonava, reposicionando as suas forças ao longo da margem leste do ribeiro Goldbach, a 26 de Novembro, Napoleão dava ordens para que o I corpo de Bernardotte regressasse da fronteira da Boémia com a Morávia, e para que o III corpo de Davout, estendido de Viena a Bratislava, marchasse para Norte. A intenção era juntar 74 mil e 500 homens a tempo da batalha, mas Davout não conseguiria fazer chegar senão a divisão de infantaria do general Friant e a divisão de cavalaria do general Bourcier (cerca de 4 mil homens). Ao fingir ceder a iniciativa ao inimigo, Napoleão não cedeu a vantagem que me parece subjazer à ideia de iniciativa porque, na verdade, a iniciativa nunca deixou de lhe pertencer. Tudo foi calculado ao pormenor, e a iniciativa assumida pelos aliados no terreno fazia parte da iniciativa estratégica de Napoleão, que a excedia. A postura defensiva com que Napoleão aparentemente partiu para a batalha, e que contrastava com a postura ofensiva aparentemente assumida pelos aliados, fazia parte de uma intenção ofensiva maior, pelo que pressupunha a iniciativa que, no terreno, se transferiu de facto para o inimigo. Do ponto de vista dos aliados, a iniciativa pertencia-lhes. De facto, foram eles que, na prática, assumiram a postura ofensiva. Mas, estrategicamente, a iniciativa foi de Napoleão. Que os aliados assumissem a iniciativa era parte do plano posto em marcha e, por conseguinte, parte da iniciativa maior que consistia em executá-lo.

A 1 de Dezembro, os 73 mil aliados assumiam a posição nas colinas de Pratzen, dispostos em 5 colunas: as primeiras três respondiam ao comando do general Buxhöwden (a 1.ª coluna, sob o comando do tenente-general Dokhturov, tinha acampado acima da aldeia de Hostieradek, na zona sul do planalto, devendo marchar conjuntamente com as forças austríacas sob o comando do general Kienmayer, que estava acampado junto a Augezd; a 2.ª coluna, comandada pelo tenente-general Langeron, acampada à direita da 1.ª coluna, dividia a zona norte do planalto com a 3.ª coluna, sob o comando do tenente-general Prebyshevsky), enquanto a 4.ª coluna, uma força conjunta russa e austríaca, respondia ao tenente-general russo Miloradovich e ao general austríaco Kolowrat, e a 5.ª coluna era comandada pelo príncipe Johann Liechstenstein. A norte das colinas de Pratzen, junto à estrada que ligava Brunn e Olmütz, posicionara-se a Guarda Avançada do tenente-general Bagration. A Guarda Imperial Russa, comandada pelo grão-duque Constantino, ficara na retaguarda, entre Austerlitz e Krzenowitz, onde estava instalado o quartel-general aliado. Napoleão, por sua vez, concentrara as forças no flanco esquerdo, apresentando evidentes debilidades à direita: a defender a margem oeste do Goldbach, de Telnitz a Kobelnitz, havia apenas a 3.ª divisão de infantaria do IV corpo do marechal Soult, sob o comando do general Legrand (os 3 batalhões da brigada do general Féry, apoiada pela brigada de cavalaria do general Margaron e por alguma artilharia, defendiam Telnitz; os 4 batalhões da brigada do general Merle defendiam a margem do rio entre Telnitz e Sokolnitz; e os 4 batalhões do general Lavasseur ficavam entre Sokolnitz e Kobelnitz), pouco mais de 6 mil homens. A maioria do exército francês estava, pois, posicionado a norte de Kobelnitz. O flanco esquerdo, disposto junto à estrada que ligava Brunn a Olmütz, era defendido por todo o V corpo do marechal Lannes e pela Reserva de Cavalaria do marechal Murat. A sul desta posição, estavam as outras duas divisões de infantaria do IV corpo do marechal Soult, sob o comando dos generais St. Hilaire e Vandamme, a divisão de cavalaria do general Beaumont, uma divisão de granadeiros comandada pelo general Oudinot, e o I corpo de Bernadotte, que entretanto se juntara efectivamente ao restante exército. A Guarda Imperial, sob o comando do marechal Bessières, ficara de reserva a norte, na colina de Zuran (ver figura 2).

Figura 2: Disposição dos exércitos na véspera da batalha de Austerlitz, a 1 de Dezembro de 1805. Austerlitz 1805 (p. 40) © Osprey Publishing, part of Bloomsbury

Figura 2: Disposição dos exércitos na véspera da batalha de Austerlitz, a 1 de Dezembro de 1805.
Austerlitz 1805 (p. 40) © Osprey Publishing, part of Bloomsbury

Convencidos de que Napoleão não queria combater e de que os franceses não se tinham estado a preparar para a batalha, os aliados interpretaram esta disposição das tropas como o resultado da muita desorganização que deveria haver nas hostes francesas e decidiram explorar a debilidade do flanco direito francês, planeando empurrá-los para norte. Claro está que isso fazia parte do plano de Napoleão. A ideia era justamente atrair os aliados para o flanco direito de modo a que, com a linha inimiga excessivamente estendida, pudesse desferir um ataque frontal, ao centro, que separasse o exército inimigo em dois. Ao dispor as tropas desse modo, sugerindo uma debilidade evidente num dos flancos, Napoleão não estava, portanto, a cometer um erro táctico; estava, sim, a criar as condições suficientes para poder atacar de modo incisivo aquilo a que Clausewitz chama o Centro de Gravidade do inimigo, «o ponto contra o qual todas as nossas energias devem ser dirigidas» (Clausewitz, 242). As intenções tácticas dos aliados, mais uma vez, são indissociáveis da iniciativa de Napoleão. Ainda que essa iniciativa, no terreno, só fosse assumida numa segunda fase, depois de iniciado o ataque aliado, estava subentendida no plano de batalha. De tal modo que o flanco direito não estava tão exposto quanto parecia inicialmente e quanto parecia aos aliados. Napoleão tinha a informação de que os 4 mil homens de Davout chegariam a tempo de reforçar a defesa desse flanco, o que aconteceu numa altura em que as colunas sob o comando de Buxhöwden já tinham tomado Telnitz e Sokolnitz e se preparavam para começar a empurrar os franceses para norte. A chegada de Davout não só permitiu aos franceses recuperar o castelo de Sokolnitz, que a brigada do general Merle (pertencente à 3.ª divisão de infantaria do IV corpo do marechal Soult, sob o comando do general Legrand) não tinha conseguido defender, como permitiu conter o avanço dos aliados.

É possível que esse avanço tivesse de facto acontecido, se os 12 mil homens da 4.ª coluna de Miloradovich e Kolowrat tivessem aparecido junto a Kobelnitz, como planeado. Por esta altura, contudo, já a segunda parte do plano de Napoleão decorria. Ao confirmar que o flanco esquerdo dos aliados se precipitara colina abaixo, investindo contra o seu flanco direito, Napoleão ordenou que as 6 brigadas de infantaria das divisões dos generais St. Hilaire e Vandamme (os 16 mil homens do IV corpo do marechal Soult que tinham ficado ao centro), escondidos pelo nevoeiro, avançassem para o planalto. Foi isto que, inicialmente, deteve a marcha da 4.ª coluna. Ao verificarem grandes movimentações junto às aldeias de Puntowitz e Jirzikowitz, os aliados perceberam que tinham de defender o planalto: as 3 brigadas russas comandadas por Miloradovich foram destacadas para o topo norte e as 2 brigadas austríacas de Kolowrat para o topo sul. St. Hilaire tomou a aldeia de Pratzen e seguiu para o topo sul do planalto, onde se deparou com parte das forças austríacas para aí destacadas e com a brigada do general russo Kamensky, que marchava para Sokolnitz integrado na 2.ª coluna do tenente-general Langeron quando, observando a movimentação das tropas de St. Hilaire, decidira interceptá-las. Com a ajuda ainda da brigada do general Lavasseur, que o general Legrand posicionara entre Sokolnitz e Kobelnitz e que entretanto tinha chegado em reforço, St. Hilaire adquiriu o controlo do topo sul do planalto. Já a divisão de Vandamme, que se atrasara um pouco, seguiu para o topo norte, vencendo a oposição das forças de Miloradovitch. Às 11 horas da manhã, o planalto de Pratzen estava na posse de Napoleão, e as forças aliadas quebradas ao meio.

Ao saber do êxito do seu plano, Napoleão abandonou a colina de Zuran em direcção ao planalto, e ordenou ao marechal Bernadotte que movimentasse o I corpo sob o seu comando para leste (a divisão do general Rivaud deveria envolver-se no combate no flanco esquerdo, enquanto a divisão do general Drouet se deveria juntar às forças do marechal Soult no planalto). A Guarda Imperial, sob o comando do marechal Bessières, e a divisão de granadeiros do general Oudinot deveriam marchar igualmente para o planalto. A norte, a infantaria do marechal Lannes e a cavalaria do marechal Murat confrontavam-se com as forças do tenente-general Bagration, apoiadas a sul pela 5.ª coluna do príncipe Liechtestein e ainda pela Guarda Imperial Russa. Não obstante os sucessivos avanços e recuos, nem os franceses nem os aliados adquiriam uma vantagem territorial significativa. O aparecimento da divisão do general Rivaud (do I corpo de Bernadotte) à frente da aldeia de Jirzikowitz, suportada pela artilharia do general Vandamme já no topo norte do planalto e pelo avanço da cavalaria pesada do general Nansouty (uma das divisões do corpo da Reserva de Cavalaria do marechal Murat) para Blasowitz, obrigou, no entanto, os aliados a retirar para trás do rio Raussnitz. Havia agora um buraco enorme entre o flaco direito dos aliados, completamente isolado a norte da aldeia de Krug, e o flanco esquerdo, a sul do planalto. Não dando a batalha por perdida ainda, os aliados reagruparam e contra-atacaram a posição de Vandamme no topo norte do planalto. O contra-ataque, liderado pela Guarda Imperial Russa, sob o comando do grão-duque Constantino, e com o apoio do que restava das forças de Miloradovitch e Kolowrat, foi suficientemente contundente para recuperar, por breves instantes, o topo norte. Napoleão vinha a subir a colina no momento em que alguns dos batalhões da divisão do general Vandamme batiam em retirada e, pressentindo o perigo que advinha de deixar os aliados consolidarem a posição no planalto, ordenou que o marechal Bessières (Guarda Imperial Francesa) invistisse contra a Guarda Imperial Russa. Com o apoio da divisão do general Drouet (do I corpo de Bernadotte), que chegava também ao planalto nessa altura, os aliados acabaram por recuar para Krenowitz, e os franceses quebraram definitivamente o centro do inimigo. Com os acontecimentos a norte sob controlo, faltava apenas esmagar o flanco esquerdo dos aliados, cujo avanço continuava contido pelas forças do marechal Davout e do general Legrand em Sokolnitz. A divisão de St. Hilaire e parte da divisão de Vandamme iniciaram a descida em direcção a Sokolnitz, enquanto o general Legrand dispunha a sua divisão em linha, a norte da aldeia, de modo a encurralar os aliados. Langeron e Prebyshevsky (comandantes da 2.ª e da 3.ª coluna dos aliados) observaram estas movimentações, perceberam que a batalha estava perdida e decidiram retirar. Enquanto metade da 2.ª coluna, sob o comando do tenente-general Langeron, iniciou a marcha para sul, a outra metade ficou retida à volta de Sokolnitz, e acabou por capitular às mãos dos soldados do general Davout. O tenente-general Prebyshevsky, por sua vez, optou por marchar para norte, na esperança de encontrar a 4.ª coluna, que deveria estar perto de Kobelnitz, de acordo com o plano de batalha. Rodeados pelas unidades dos generais St. Hilaire e Legrand, a 3.ª coluna acabou por se desintegrar e Prebyshevsky foi capturado. Quanto à 1.ª coluna do tenente-general Dokhturov, foi o próprio tenente-general Buxhöwden (comandante-geral da 1.ª, 2.ª e 3.ª coluna) quem deu a ordem de retirar para leste, para Augezd. Por esta altura, porém, a divisão do general Vandamme descia a colina sul do planalto, cortando a estrada e obrigando os aliados a retirar para sul, para uma zona de lagos gelados, que cederam com o peso.[7] Eram 4 horas da tarde, e a batalha estava terminada. Dois dias depois, Napoleão e Francisco II da Áustria acordavam os termos do armistício, e a 27 de Dezembro era assinado o tratado de Pressburg.[8]

Ora, a vitória em Austerlitz é indissociável, a meu ver, da iniciativa de Napoleão. Não só foi por iniciativa sua que os aliados decidiram combater quando tinham mais a ganhar se não o fizessem (Napoleão manipulou Alexandre de modo a convencê-lo de que estava em desvantagem) como foi por ela que os austríacos e os russos decidiram desferir um ataque ao flanco direito francês, o que criou a divisão de forças que tornava propício o contra-ataque ao centro que pretendia efectuar. Poucas semanas antes, de resto, já tinha sido por iniciativa sua que o exército austríaco do general Mack tinha ficado encurralado em Ulm. Em qualquer dos três casos, parece evidente que Napoleão se antecipou à iniciativa do inimigo e estipulou as circunstâncias em que deveria enfrentá-lo. Quando duas forças se opõem (numa guerra ou num jogo que consista em vencer uma força contrária), todas as acções de uma dessas forças implicam necessariamente reacções da força oposta. Se agir obriga o oponente a reagir, assumir a iniciativa de agir garante, pelo menos, a possibilidade de antecipar o comportamento reactivo do oponente. Claro está que há reacções inesperadas, e que qualquer reacção pode sempre superar a acção que a provocou. Mas a acção, pelo simples facto de preceder a reacção, parece acarretar uma vantagem qualquer. Num jogo de xadrez, pelo simples facto de se jogar à vez, esta vantagem é flagrante: o jogador que assume a iniciativa de atacar obriga o adversário a corrigir o seu posicionamento defensivo em função do ataque que lhe é imposto e, apesar de poder contra-atacar e apanhar desprevenido aquele que o ataca, a movimentar as suas peças em função da movimentação das peças alheias. De certo modo, Napoleão pôs isto em prática em Austerlitz. Fazendo de cada uma das suas acções um engodo irresistível (fingir que não estava em condições de combater ou desproteger um flanco), levou a que os aliados agissem sempre em função delas e a que, portanto, os acontecimentos se desenrolassem como pretendia.

Há, no entanto, historiadores e teóricos que defendem que o triunfo em Austerlitz se deveu menos à elaboração de um plano exemplar, e à tomada da iniciativa concretizada em tal elaboração, do que à execução perfeita desse plano. O que lhes merece o elogio é a capacidade de leitura das circunstâncias da batalha, tais como iam ocorrendo, a adaptação a essas circunstâncias e a celeridade com que lhes reagia, não o cálculo prévio de tais circunstâncias. Abdicar de um terreno elevado favorável, sugerir desorganização e indisciplina, fingir intenções contrárias, debilitar propositadamente um dos flancos e dispor a maior parte das tropas de maneira a preparar um ataque frontal — tudo isto parece sinalizar um plano meticuloso, na ausência do qual seria muito mais difícil responder com prontidão às circunstâncias da batalha. A execução foi perfeita, em parte, porque o plano de Napoleão lhe permitia adivinhar de antemão boa parte das circunstâncias a que seria preciso responder. É evidente que o plano não era infalível e que o acaso beneficiou os franceses (os aliados poderiam ter desconfiado das intenções de Napoleão, as forças do marechal Davout poderiam não ter chegado a tempo de suster o ímpeto aliado em Sokolnitz e o nevoeiro matinal poderia ter demorado mais tempo a dissipar-se, retardando o avanço das divisões do marechal Soult para as colinas de Pratzen), mas isso não invalida o mérito do mesmo. É indiscutível, a meu ver, a relação causal entre boa parte dos acontecimentos daquele dia 2 de Dezembro e a táctica de Napoleão.

Existe, aliás, uma última evidência desta relação. É que essa táctica corresponde a uma lição de mestre. Napoleão adaptou-a às circunstâncias específicas do terreno, ao modo particular de combater do seu tempo e ao inimigo que tinha pela frente (soube, por exemplo, usar a ambição e o orgulho do czar Alexandre a seu favor), devendo imputar-se-lhe responsabilidades por isso, mas a ideia que lhe subjaz, a de atrair as forças inimigas para um dos flancos de modo a desfechar um contra-ataque ao centro para partir o exército opositor em dois é original de Alexandre, o Grande. Apesar de negligenciada por muitos historiadores, Austerlitz foi, em larga medida, uma imitação de Gaugamela, a mais famosa e retumbante vitória de Alexandre. A táctica de Alexandre em batalha era quase sempre a mesma: as suas falanges (infantaria) assumiam um comportamento defensivo no flanco esquerdo, contendo o inimigo, enquanto a cavalaria, geralmente sob o comando do próprio Alexandre e disposta inicialmente no flanco direito, se encarregava de flanqueá-lo para o atacar por trás. A táctica que consistia em esmagar o exército inimigo entre duas forças (uma defensiva cuja solidez impedia o avanço desse exército e uma ofensiva que, atacando-lhe as costas, o empurrava de encontro à primeira) haveria de ficar eternizada, aliás, pela imagem do martelo e da bigorna. Houve batalhas, porém, em que Alexandre não usou a táctica do «martelo e bigorna». Assim foi em Gaugamela,[9] a batalha decisiva contra os persas, no ano 331 a.c. O exército de Dario era cinco vezes mais numeroso do que o de Alexandre, o que tornava desde logo ineficaz a habitual estratégia de flanqueamento. Além disso, os persas estavam a par das tácticas de Alexandre, e reagiram aos movimentos iniciais da cavalaria dos macedónios de maneira a inviabilizar esse flanqueamento. O que os persas não sabiam é que a iniciativa de Alexandre não pressupunha, desta vez, a intenção de flanqueá-los. A iniciativa, idêntica na prática à iniciativa de movimentar a cavalaria à direita para flanquear o exército inimigo e atacá-lo por trás, visava sobretudo estender o flanco esquerdo dos persas ao máximo de maneira a que se criassem as condições certas para uma investida ao centro. Assim, a cavalaria de Alexandre galopou para a direita, simulando uma manobra de flanqueamento, arrastou consigo o flanco persa correspondente e, no momento em que se criou um buraco entre o centro e esse flanco, inverteu drasticamente a marcha e encaminhou-se para o centro do exército de Dario. Também neste exemplo, foi a iniciativa de Alexandre, concretizada na manobra à direita, que criou as condições do seu sucesso.

Há um segundo exemplo, talvez ainda melhor, da manobra que serviu de inspiração a Napoleão em Austerlitz: a batalha de Queroneia,[10] que opôs uma aliança de várias cidades-estado gregas ao exército invasor liderado pelo pai de Alexandre, Filipe da Macedónia, em 338 a.c. Em Queroneia, os gregos assumiram uma posição defensiva entre a margem de um rio à direita e uma formação rochosa à esquerda (o Batalhão Sagrado dos tebanos, o mais bem preparado, estava disposto no flanco direito, junto à margem do rio, enquanto os atenienses defendiam o flanco esquerdo). Com os flancos bem protegidos, deram a iniciativa aos macedónios. Filipe dispusera as suas tropas, por sua vez, como se fosse lutar uma batalha de flanqueamento: posicionara a cavalaria à esquerda, logo seguida de uma força de infantaria comandada por Alexandre, e à direita as suas falanges, comandandas por si. A dada altura, já depois de abertas as hostilidades e sem que nenhum dos exércitos se encontrasse em vantagem, Filipe ordenou que as suas falanges recuassem, fingindo desorganização e medo. Com o flanco direito dos macedónios a recuar, aparentemente em pânico, os atenienses no flanco esquerdo dos gregos acreditaram que podiam persegui-lo e destrui-lo. A manobra aparentemente defensiva de Filipe servia, no entanto, apenas para atrair o flanco esquerdo dos gregos. Com o avanço dos atenienses, a linha defensiva grega sentiu necessidade de se reajustar à esquerda, o que levou a que se abrisse um espaço para o exército tebano (no flanco direito), que foi o único que se manteve disciplinadamente na posição. Era este espaço ao centro que Filipe pretendia criar, e foi esse espaço que a infantaria de Alexandre invadiu, carregando sobre os tebanos, que assim não conseguiram impedir a manobra de flanqueamento da cavalaria macedónia e foram destruídos.

Ora, foi exactamente isto que aconteceu em Austerlitz. Sugerindo uma fragilidade no seu flanco direito, Napoleão persuadiu os aliados a manobrarem à esquerda de modo a investirem contra esse flanco, o que levou a que desprotegessem o centro. Como Filipe na batalha de Queroneia e Alexandre em Gaugamela, foi Napoleão quem causou essa desprotecção; como nos outros dois casos, foram as suas acções que motivaram a reacção que, em larga medida, tornou propício o ataque decisivo. Ao tomar a iniciativa de convencer o inimigo a movimentar-se de determinado modo, e de atrai-lo para determinada posição, Napoleão assumiu desde logo uma determinada vantagem teórica. Essa vantagem poderia não ter consequências práticas, e poderia acabar por não se traduzir em vitória. Se Davout não fosse capaz de chegar tão cedo à batalha, e o flanco direito dos franceses não aguentasse como aguentou, o desfecho final da batalha seria decerto diferente, e tal iniciativa não garantiria a vantagem prática esperada. De igual modo, se o nevoeiro não se dissipasse à hora a que se dissipou, Napoleão não faria avançar as tropas de Soult para o planalto de Pratzen no momento exacto, e a fragilidade do centro do inimigo, decorrente da iniciativa de persuadi-lo a atacar um dos flancos, não teria sido aproveitada da mesma forma. Qualquer infortúnio ou qualquer falha na execucação do plano poderia comprometer esse plano. Mas isso não invalida que a vantagem inicial, em termos estritamente teóricos, pertença a quem assume a iniciativa. Desde que os aliados não tivessem percebido as reais intenções de Napoleão, todas as suas manobras estariam pressupostas no plano de batalha dos franceses, não passando por isso de reacções às acções prévias destes. É nisso que se traduz a vantagem teórica inerente à tomada da iniciativa, numa batalha ou sempre que há duas forças opostas em confronto. Ao reduzir as acções do opositor a meras reacções, aquele que assume a iniciativa não só limita o espectro de possibilidades de acção ao opositor, na medida em que o obriga agir em função de qualquer coisa, como de certo modo fica em condições de antecipar tais acções. Não sendo contrariada, a iniciativa permite assim a quem a assume a vantagem teórica de poder ditar, pelo menos em parte, os termos do confronto. Ainda que não seja decisiva, tal vantagem não é de somenos importância.

 

[1] Carl von Clausewitz foi um militar prussiano, tendo participado nas guerras napoleónicas, mas foi como teórico militar que se destacou. O célebre tratado Vom Kriege, publicado postumamente, terá sido escrito entre 1816 e 1830.

[2] Não era senão isso que Napoleão pretendia em 1805, em Austerlitz, como a carta de 13 de Dezembro ao irmão José deixa claro: «A paz não pode ser assegurada gritando por ela. (...) A palavra “paz” não significa nada. O que queremos é um tipo particular de paz — paz com glória» (Napoleão, 1934: 133-134).

[3] É possível que a tese de Clausewitz de que a defesa é teoricamente superior ao ataque se aplique mais a campanhas do que propriamente a batalhas. Na verdade, essa tese é indissociável da experiência de Clausewitz em solo russo, na campanha francesa de 1812, pois até então defendera ideias contrárias, como observa Beatrice Heuser (Heuser, xxii). Depois de ter oferecido os seus serviços à Rússia, aquando da aliança estabelecida entre Napoleão e Frederico Guilherme III da Prússia em Fevereiro de 1812, Clausewitz pôde testemunhar a forma como os russos fizeram uso do tamanho e da geografia específica do país, da fraca qualidade das estradas e do clima para conter os invasores, e terá ficado muito impressionado com a capacidade demonstrada pelas forças russas, em menor número que as francesas (180 mil para 600 mil), para suster o inimigo através de uma estratégia defensiva permanente, de retirada ad aeternum.

[4] A batalha de Austerlitz, talvez a maior vitória de Napoleão, é também conhecida como a batalha dos Três Imperadores. O nome deve-se à presença em simultâneo no campo de batalha dos três imperadores envolvidos (Napoleão, Alexandre I da Rússia e Francisco II da Áustria).

[5] A Grand Armée foi criada com o objectivo de invadir as ilhas britânicas, na sequência da declaração de guerra da Inglaterra em 1803. Era composta por cerca de 200 mil homens, e essencialmente estruturada em 7 corpos de exército (o I corpo era comandado pelo marechal Bernadotte, o II corpo pelo marechal Marmont, o III corpo pelo marechal Davout, o IV corpo pelo marechal Soult, o V corpo pelo marechal Lannes, o VI corpo pelo marechal Ney, o VII corpo pelo marechal Augereau). Cada corpo de exército era composto por duas ou mais divisões de infantaria (cada divisão era comandada por um general de divisão e tinha entre 10 a 12 batalhões, cada um com cerca de mil soldados de infantaria, os quais eram agrupados em regimentos de 2, 3 ou 4 batalhões que eram, por sua vez, agrupados em brigadas sob o comando de um general), uma divisão de cavalaria ligeira e uma divisão de artilharia. Além destes sete corpos de exército, a Grand Armée era ainda servida de um corpo de Reserva de Cavalaria, sob o comando do marechal Murat (composto por 2 divisões de cavalaria pesada e 5 divisões de cavalaria intermédia), de uma Reserva de Artilharia e da Guarda Imperial comandada pelo marechal Bessières (composta por 6 batalhões de infantaria, 10 esquadrões e meio de cavalaria e 24 peças de artilharia).

[6] O I corpo do marechal Bernardotte e uma divisão de tropas bávaras estavam a noroeste de Brunn, atentos às movimentações do Arquiduque Fernando, em Praga; o II corpo do marechal Marmont estava a sudoeste de Viena, com ordens para impedir o avanço do Arquiduque Carlos; o III corpo do marechal Davout encontrava-se a sul de Brunn, preparado para deter uma investida húngara; o VI corpo do marechal Ney marchara para o Tirol; o VII corpo do marechal Augereau estava incumbido de estabelecer guarnições ao longo da linha de comunicação; e o recém-criado VIII corpo do marechal Mortier ocupava Viena.

[7] As águas não eram fundas, e não terão morrido senão cerca de 200 homens. Oficialmente, os franceses terão declarado 20 mil óbitos, mas tais números não eram verdadeiros. O próprio Napoleão, na carta que escreveu ao irmão José no dia a seguir à batalha, exagerava largamente, informando que «uma coluna inteira se atirou a um lago, onde a maior parte deles se afogou», e que quase se podia ainda ouvir «os gritos de alguns desses infelizes que não puderam ser salvos» (Napoleão, 133). Não custa a acreditar que, além de servirem para abrilhantar a vitória francesa, e para glorificar ainda mais a figura de Napoleão, os números oficiais, e a lenda perpetuada por eles, terão sido postos a circular com o objectivo de beneficiar a parte interessada em futuras negociações. Não terá sido muito diferente, no fundo, do que nos dias de hoje fazem as centrais sindicais, sempre que há uma manifestação nas ruas: quanto mais numerosa for essa manifestação, maior força terão as reivindicações dos sindicatos nas negociações que se lhes seguirem.

[8] O tratado assinado em Pressburg (actual Bratislava) entre a França e o Império Austríaco pressupunha a saída da Áustria da Terceira Coligação e a cedência, por exemplo, das províncias da Dalmácia, Ístria e Veneza, que seriam incorporadas no Reino da Itália de Napoleão, e das províncias do Tirol e Voralberg, que passariam para a Baviera, como compensação pela ajuda aos franceses. O efeito imediato foi o enfraquecimento da influência austríaca nos territórios germânicos, o que conduziu à dissolução do Sacro Império Romano-Germânico no ano seguinte (a 6 de Agosto de 1806), depois de 844 anos de existência, e à subsequente criação da Confederação do Reno.

[9] Gaugamela situa-se no actual Curdistão Iraquiano (no norte do Iraque, junto às fronteiras com a Síria e a Turquia).

[10] A batalha teve lugar na planície de Queroneia, na Beócia.

 

BIBLIOGRAFIA
 

Castle, Ian. Austerlitz 1805: the Fate of Empires. Londres: Osprey Publishing, 2002.

Clausewitz, Carl von. On War. Tradução de Michael Howard e Peter Paret. Oxford: Oxford UP, 2007.

Heuser, Beatrice. «Introduction». In On War, vii-xxx. Tradução de Michael Howard e Peter Paret. Oxford: Oxford UP, 2007.

Montgomery, Lord. A Concise History of Warfare. Ware, Hertfordshire: Wordsworth Editions Limited, 2000.

Muir, Rory. Tactics and the Experience of Battle in the Age of Napoleon. New Haven and London: Yale UP, 2000.

Napoleão. Letters of Napoleon, editado por J. M. Thompson. Oxford: Basil Blackwell, 1934.

Warry, John. Alexander 334-323 BC: Conquest of the Persian Empire. Londres: Osprey Publishing, 1991.

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