Lúcia Evangelista
Para a professora e investigadora Joana Meirim a «modéstia» é um tópico central para articular poéticas que se fazem numa contracorrente de um sentimentalismo lírico e «palavroso» – a expressão é da própria Meirim. É sob este tópico que a autora tem dedicado sua atenção a poetas como Adília Lopes, Alberto Pimenta e Alexandre O’Neill. A «modéstia», em sentido positivo, apontada nestes poetas é também marca estilística de Uma Carta à Posteridade. Jorge de Sena e Alexandre O’Neill. Tratando-se, como a própria autora revela na «Nota Prévia», de uma versão da sua tese de doutoramento, Uma Carta à Posteridade. Jorge de Sena e Alexandre O’Neill não incorre às marcas de muitas das obras que partem de teses. Em outras palavras, é um livro que consegue ser profundo sem ser pedante, erudito sem ser cansativo, generoso de referências sem esgotar a paciência dos leitores em infinitas notas de rodapé e pormenores bibliográficos. É, pois, um livro que faz do tema da «modéstia» um caminho tanto para rigor quanto para a abertura de liberdade na leitura e no ensino de autores já canônicos como o são Jorge de Sena e Alexandre O’Neill. Ou usando as palavras da canção de Caetano Veloso faz da modéstia um jeito de corpo: de corpo de texto e de experimentação de atuação acadêmica.
