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Nº8 Closeness / Proximidade


Dezembro 2016

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Nº8 Closeness / Proximidade


Dezembro 2016

Editor convidado:

Vincent Barletta

Stanford University

bilingue e temático, O
Oitavo Número da Forma de Vida
É uma reflexão em torno da
proximidade nas humanidades. 

 


On October 10, 2014, Facebook founder and CEO Mark Zuckerberg announced that his company had just purchased the popular text-messaging platform WhatsApp for $16 billion. In his statement to the press that day, Zuckerberg mentioned that the WhatsApp team had “done some amazing work to connect almost half a billion people” and that he couldn’t wait for them become a part of Facebook and help “connect the rest of the world.” This vague but unquestionably upbeat public statement met with a great deal of applause; however, what exactly is meant here by the term connect?

A 10 de Outubro de 2014, Mark Zuckerberg, o fundador e CEO do Facebook, anunciou que a sua empresa acabara de comprar a popular plataforma de mensagens de texto, o WhatsApp, por 16 biliões de dólares. Na sua comunicação à imprensa, Zuckerberg mencionou nesse dia que a equipa do WhatsApp “fizera um trabalho incrível para ligar quase um bilião de pessoas” e que mal podia esperar que se tornasse parte do Facebook, para ajudar “a ligar o resto do mundo”. Vaga mas inquestionavelmente optimista, esta declaração pública foi recebida com muitos aplausos; no entanto, qual é aqui o significado do termo ligar?  

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Gumbrecht: Beauty / Beleza


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Gumbrecht: Beauty / Beleza


Hans Ulrich Gumbrecht

Stanford University / Universidade de Lisboa


BEAUTY

The now ubiquitous “selfie-stick,” in its embarrassing directness, has added a grotesque degree of evidence to a condition of experience with which we have long been familiar. Visitors at art museums stepping a few steps back and a few steps forward in order to find what will end up appearing to be the “right” distance in front of a painting; potential spectators making a value decision about price levels for different locations in a theater building, a stadium, or a concert hall; and a connoisseur getting his nose close to a glass of wine in order to appreciate what we call (in the most tautological of all metonymies) its “nose”—

BELEZA

O selfie stick, coisa agora ubíqua e metediça, veio acrescentar um grotesco grau de evidência à condição de vida com que há tempo temos vindo a familiarizar-nos. Nos museus de arte, os visitantes avançam ou recuam alguns passos para se posicionarem à distância “certa” de um quadro; potenciais espectadores decidem sobre o valor dos preços dos diferentes lugares num teatro, num estádio ou numa sala de concertos; um connoisseur aproxima o nariz de um copo de vinho, para avaliar aquilo a que, na mais tautológica das metonímias, se chama o nariz do vinho —

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Tamen: Art / Arte


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Tamen: Art / Arte


Miguel Tamen

Universidade de Lisboa


ART

The matter of closeness in relation to art raises a number of difficult questions. The larger group comprises epistemological, metaphysical and straight cognitive questions. Examples of such questions are: ‘How close is close?’; ‘What are the criteria for closeness?’; ‘Is “being close to X” synonymous with “getting X?”’; as well as Bertrand Russell’s famous distinction between knowledge by acquaintance and knowledge by description, including his suggestion that acquaintance is more primary than description.

Arte

O assunto da proximidade em relação à arte levanta um conjunto de perguntas difíceis. O grupo maior abrange perguntas epistemológicas, metafísicas e manifestamente cognitivas. Exemplos deste tipo de perguntas são: «O quão próximo é próximo?»; «Quais são os critérios de proximidade?»; «Será “ser próximo de X” sinónimo de “perceber X”?»; bem como a distinção famosa de Bertrand Russell entre conhecimento por contacto e conhecimento por descrição, incluindo a sua sugestão de que contacto é mais elementar do que descrição.

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Peterson: Poem / Poema


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Peterson: Poem / Poema


Katie Peterson

Deep Springs College


Poem

I didn’t get a tattoo, join a cult, or divorce a starter husband. I went to Harvard University and wrote a dissertation on Emily Dickinson. At some point my mother flew from California to Boston to make sure I wasn’t wasting into scholarship. I took her to Dickinson’s house, which she smoked through on the sly, alternating her ash with questions to the tour guide, “Did Emily Dickinson have friends in high school?” In the driveway to the Homestead, with the American directness of one who wishes for the bottom line, she asked “Kate,” taking a drag, “What did she really do with her life?”

Poema

Não fiz uma tatuagem, não me juntei a uma seita ou acabei com um casamento irreflectido. Fui para a Universidade de Harvard e escrevi uma tese sobre Emily Dickinson. A dada altura a minha mãe voou da Califórnia para Boston para se certificar de que eu não estava a desperdiçar-me numa bolsa académica. Levei-a a uma visita à casa de Dickinson, em que ela fumou às escondidas, alternando o sacudir da cinza com perguntas à guia: A Emily Dickinson tinha amigos no liceu? No acesso à residência, com a assertividade americana de quem quer chegar ao fundo das questões, perguntou, inalando uma baforada: Kate, o que é que ela fez mesmo da vida dela?

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Zenith: Translation / Tradução


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Zenith: Translation / Tradução


Richard Zenith

Tradutor


Translation

Susan Sontag concluded her essay “Against Interpretation” (1964) with the following dictum: “In place of a hermeneutics we need an erotics of art.” Her thesis was that too much concern with content, with latent meanings and with sociological and psychological subtexts had strangled the pleasure of art as a sensuous experience. Interpretation, she wrote, was a “revenge of the intellect upon art,” and while the visual arts had managed to frustrate the urge to dig under and behind the work through movements such as Abstract Expressionism and Pop Art, literature was still a vulnerable target – in fact the main victim – of the compulsion to interpret.

Tradução

Susan Sontag conclui o seu ensaio “Contra a Interpretação” (1964) com a seguinte máxima: “Em vez de uma hermenêutica precisamos de uma erótica da arte.” A sua tese era a de que demasiada preocupação com o conteúdo, com os significados latentes e subtextos sociológicos e psicológicos tinham estrangulado o prazer da arte enquanto experiência sensorial. A interpretação, escrevia, era «a vingança do intelecto contra a arte», e se as artes visuais tinham conseguido frustrar o impulso de escavar a obra mais fundo e mais adiante através de movimentos como o Expressionismo Abstracto e a Pop Art, a literatura ainda era um alvo vulnerável — a vítima principal, de facto — da compulsão para interpretar.

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Bell: Touch / Tacto


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Bell: Touch / Tacto


David F. Bell

Duke University


Touch

It is hard to imagine a gesture that expresses more closeness than the caress, a caring touch that encounters just the right zone and applies tactful pressure and gentle motion.  The mother’s caress of a newborn is the primordial act of socialization, transitioning the neonate into a world where interaction with other animate beings is the individual’s destiny. One can suppose that the unborn being has already experimented with reaching and touching even before coming fully into the world, but birth immediately foregrounds the touch of the other’s skin.

Tacto

É difícil imaginar um gesto que exprima mais proximidade que a carícia, o toque meigo aplicado na zona exactamente certa com uma pressão sensível e um movimento delicado. O modo como uma mãe acaricia um recém nascido é o acto de socialização primordial, transitando o neonato para um mundo no qual a interacção com outros seres animados é o destino do indivíduo. Podemos supor que ainda antes de entrar em pleno contacto com o mundo o feto já experimentou esticar-se e tocar, mas o parto traz logo para primeiro plano o toque da pele do outro. 

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Gfrereis: Thing / Coisa


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Gfrereis: Thing / Coisa


Heike Gfrereis

Deutsches Literaturarchiv Marbach


Thing

Wikiquote traces Albert Einstein’s famous turn of phrase, uttered in an interview with Alfred Werner for the magazine Liberal Judaism, back to an article published by Walter Winchell in the Wisconsin State Journal in September 1946: “Joe Laitin reports that reporters at Bikini were questioning an army lieutenant about what weapons would be used in the next war. ‘I dunno,’ he said, ‘but in the war after the next war, sure as Hell, they’ll be using spears!’”

Coisa

O Wikiquote atribui a origem do famoso trocadilho de Albert Einstein, dito numa entrevisa com Alfred Werner para a revista Liberal Judaism, a um artigo publicado por Walter Winchell no Wisconsin State Journal em Setembro de 1946: “Joe Laitin relata que os repórteres no Atol de Bikini questionaram um tenente do exército a respeito de que armas seria usadas na próxima guerra. ‘Não sei,’ disse ele, ‘mas na guerra depois dessa de certezinha que vão usar lanças!’”

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Kark: Internet


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Kark: Internet


INTERNET

CHRISTOPHER KARK

Twitter
 

The Internet is everywhere, but nowhere in particular. The server farms dotting the North Dakota landscape, the tortuous web of fiber optic cables that straddle the ocean floor, the cellphone towers narrowly disguised as redwoods: these comprise a vast network that, for most of us, is amorphous. Space, in the geographic sense of the term, is passé.

A Internet está em todo o lado, mas em lado algum em particular. As quintas de servidores que pontuam o Dakota do Norte, a tortuosa rede de fibra óptica acoplada ao fundo do oceano, as torres de comunicações celulares mal disfarçadas de sequoias: tudo isto forma uma vasta rede que, para a maioria de nós, é informe. O espaço, no sentido geográfico do termo, é uma noção obsoleta. 

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Nuno Andrade: Ginjal


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Nuno Andrade: Ginjal


 
 

Este número é ilustrado com uma selecção de imagens da série Ginjal (2016), do fotógrafo português Nuno Andrade

 

The current issue is illustrated with a selection of images from Ginjal (2016), a series by the Portuguese photographer Nuno Andrade