99. Henry David Thoreau. 2016. Walden e «Ktaadn». Lisboa: Relógio D’Água.

99. Henry David Thoreau. 2016. Walden e «Ktaadn». Lisboa: Relógio D’Água.

Pedro Madeira

Pouco antes de entrarmos no ano em que Henry David Thoreau completaria duzentos anos, a Relógio D’Água lança uma nova tradução de Walden, por Alda Rodrigues. Esta publicação importante é também oportuna. Não tanto por assinalar a efeméride, mas sobretudo porque se acumulam os sinais de que Thoreau, que até há muito pouco tempo esteve ausente, ou quase, do panorama editorial português, está hoje na moda em Portugal.

98. Ricardo Araújo Pereira. 2016. A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num bar. Lisboa: Tinta-da-China.

98. Ricardo Araújo Pereira. 2016. A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num bar. Lisboa: Tinta-da-China.

Nuno Amado

A dada altura de A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num bar, Ricardo Araújo Pereira define o seu trabalho de humorista como o «ofício de fazer desfeitas ao mundo» (p. 33). À luz desta definição insólita, o humorista supremo seria aquele que passasse a vida a desfeitear o mundo. É essa, aliás, a ambição do protagonista de Jacques, o Fatalista, tal como se percebe pelo exemplo de que RAP se serve, no último capítulo do livro, para justificar a ideia de que o riso tem o poder de subverter o medo da morte. Se tivesse conseguido «troçar de tudo», o protagonista da obra de Diderot ter-se-ia livrado de todas as «preocupações», não teria «necessidade de mais nada» e tornar-se-ia «perfeito senhor de mim mesmo» (p. 106). Ora, o auto-domínio e a auto-suficiência nos quais consistiria o triunfo sobre o mundo desejado por Jacques são talvez as características mais distintivas da figura do sábio, tal como ela é pensada ao longo de toda a tradição filosófica ocidental. Uma ideia importante a reter é, pois, a de que humor, para RAP, é uma forma de sabedoria.

97. Martin Scorsese. 2016. Silence. EUA. 161 min.

97. Martin Scorsese. 2016. Silence. EUA. 161 min.

Lauro Reis

Depois de quase três décadas de avanços e recuos, Martin Scorsese concretiza finalmente o projecto que havia idealizado depois de realizar A Última Tentação de Cristo (1988). Silêncio (2016) é uma adaptação do livro homónimo de Shusaku Endo, escritor japonês cristão, publicado em 1966. Esta adaptação cinematográfica reproduz fielmente a narrativa do romance epistolar de Endo: após saber que o seu mestre, o padre jesuíta Cristóvão Ferreira, havia apostatado, renunciado à sua fé em público pisando uma figura de Cristo (fumi-e), e recomeçado a sua vida como um japonês, os seus discípulos, padres Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe, não acreditando em tais rumores, partem para o Japão em busca de respostas. Esta é a premissa de um filme que se destaca pelo contraste entre a claridade de execução cinematográfica e a sua ambiguidade temática: a duplicidade do silêncio como abandono ou aproximação a Deus.

96. Andrew Haigh. 2015. 45 Years. Reino Unido. 95 minutos.

96. Andrew Haigh. 2015. 45 Years. Reino Unido. 95 minutos.

Marana Borges

É uma manhã cinzenta, como são as manhãs inglesas, com poucos contrastes de cor (e de emoções). Verde escuro, tonalidades de marrom, cinza. O céu nublado distingue-se do chão de relva mais por nuance que por oposição. Nesse demorado plano geral, acompanhamos de longe o passeio campestre de uma mulher ao encontro de seu cachorro, sempre à frente, sempre fora do alcance. O começo resume a ideia do filme: é sobre distâncias que ele nos falará — entre um casal de idosos sem filhos; entre quem pensamos ser e quem nos descobrimos sendo; aquilo que julgamos conhecer do outro e o que o outro mesmo desconhece sobre si; onde estamos hoje e o que escolheríamos para nossas vidas quando ainda não era tarde demais.

95. Jorge de Sena e Eugénio de Andrade. 2016. Correspondência (1949-1978). Lisboa: Guerra & Paz.

95. Jorge de Sena e Eugénio de Andrade. 2016. Correspondência (1949-1978). Lisboa: Guerra & Paz.

Joana Meirim

José Saramago, num obituário intitulado «Sena», publicado no Diário de Lisboa a 12 de Junho de 1978, conta-nos que travou conhecimento com Jorge de Sena através da troca de cartas. Apesar de a maioria ser de natureza editorial, Saramago assinala que a personalidade de Sena é a principal razão de ser para a existência desta correspondência: «quem alguma vez recebeu carta de Jorge de Sena, sabe que nela sempre esteve, além do motivo imediato que a justificasse, um outro motivo que em todas obsessivamente se exprimia: o autor delas» (Saramago 1978, 487).

94. Paul Bloom. 2016. Against Empathy: The Case for Rational Compassion. New York: Ecco.

94. Paul Bloom. 2016. Against Empathy: The Case for Rational Compassion. New York: Ecco.

Telmo Rodrigues

Paul Bloom’s Against Empathy belongs to a recent trend of making the case for bold and counter-intuitive claims, usually through a huge amount of scientific and academic apparatus. It is not without some surprise, then, that the research used throughout the book is treated accordingly to the needs of the argument, considered at times sound proof for a belief while many times being rebuffed as inaccurate. For instance, questionnaires provide several types of scales, but we are informed these types of scales are easily misleading as subjects can lie or be influenced by several types of conditions (nonetheless, the Baron-Cohen scale of empathy, classified as problematic, is used several times). At a certain point, a study is given to explain how the place where questionnaires and studies are carried has impact on the results: “People are more likely to vote for sales taxes that will fund education when the polling place is in a school” (160). Besides this, many studies are put into question by counter studies set on proving the first wrong. Given the fickle nature of the research, and of the use given to it, we are left with Mr. Bloom’s ability to argue his case.

93. The Divine Comedy. 2016. Foreverland. Londres: Divine Comedy Records.

93. The Divine Comedy. 2016. Foreverland. Londres: Divine Comedy Records.

Rita Lavos

Na página online dos The Divine Comedy lê-se que Foreverland é sobre «meeting your soul mate and living happily ever after... and then what comes after happily ever after». Numa leitura literal da primeira parte da descrição que Neil Hannon faz do seu décimo primeiro álbum, seis anos depois do anterior, sabe-se que pelo menos duas canções, ambas singles, se referem de forma disfarçada, mas também específica, à sua companheira: «Catherine The Great» e «To the Rescue». Se o título da primeira é uma referência directa ao seu nome, a segunda é inequívoca em relação a uma das suas ocupações: «Got a vigilante sleeping in my bed / I looked for Marilyn, I got Che instead / But I’ll march behind you wherever you may go / And I’m more proud of you than you can never know». Cathy Davey é uma das fundadoras de uma associação de apoio a animais na Irlanda.

92. Rafael Spregelburd. 2014. A Estupidez. Lisboa: Artistas Unidos / Livros Cotovia. 11 de Janeiro – 25 de Fevereiro de 2017, Artistas Unidos, Teatro da Politécnica (encenação de João Pedro Mamede).

92. Rafael Spregelburd. 2014. A Estupidez. Lisboa: Artistas Unidos / Livros Cotovia. 11 de Janeiro – 25 de Fevereiro de 2017, Artistas Unidos, Teatro da Politécnica (encenação de João Pedro Mamede).

Inês Amado da Silva

Qual é, exactamente, a diferença entre um motel e um hotel? Substitua-se a pergunta por uma equivalente: qual é a diferença entre arte verdadeira e arte falsa? Poder-se-ia responder que a diferença reside, em ambos os casos, no que valem em dinheiro, a força centrifugadora de A Estupidez — o dinheiro é vital para a acção da peça, impondo-se como origem dos acontecimentos e relegando para segundo plano as verdadeiras causas do que vemos acontecer em palco. Mas o texto de Rafael Spregelburd mostra, na sua totalidade, muitas vezes resumida em frases soltas, uma reflexão que complexifica esta acção centrifugadora: o dinheiro também exerce a sua força de uma forma centrípeta, chamando a si as motivações da acção humana, que convergem no leitmotiv do dinheiro como que atraídas pelo olho de um furacão. A habilidade exímia do autor consiste precisamente em tornar a peça confusa, risível, ou apenas aparentemente estúpida e desprovida de um sentido, como a vida normal parece ser. Spregelburd consegue expor a lógica contraditória que caracteriza a estupidez conferindo esta mesma lógica à estrutura da peça.

91. Suroeste. Revista de Literaturas Ibéricas. 2016. N.º 6. Badajoz.

91. Suroeste. Revista de Literaturas Ibéricas. 2016. N.º 6. Badajoz.

Ângela Fernandes

Situando-se explicitamente no campo vasto e incerto das revistas literárias, Suroeste chega ao seu sexto número com a oferta consistente de «textos inéditos de autores que escrevem nas diversas línguas peninsulares», e ainda um «escaparate de livros em que os críticos da publicação recomendam algumas das suas leituras favoritas do ano anterior». Estas palavras de Antonio Sáez Delgado (director da revista desde o seu primeiro número, publicado em 2011) descrevem, na última página do volume, a estrutura recorrente desta publicação anual, editada em Badajoz graças ao patrocínio conjunto da Junta de Extremadura e da Fundación Ortega Muñoz. Também nesse breve parágrafo posfacial, Sáez Delgado explica que os textos surgem «na sua língua original e sem tradução», o que pressupõe o pedido ao leitor para que faça «o pequeno esforço de ler nas línguas que partilham o espaço ibérico como sinal inequívoco de aproximação ao outro e à sua cultura».

90. Hans Ulrich Obrist, com Asad Raza. 2015. Ways of Curating. Londres: Penguin Books + David Balzer. 2015. Curationism: How Curating Took Over the Art World and Everything Else. Londres: Pluto Press.

90. Hans Ulrich Obrist, com Asad Raza. 2015. Ways of Curating. Londres: Penguin Books + David Balzer. 2015. Curationism: How Curating Took Over the Art World and Everything Else. Londres: Pluto Press.

Tomás N. Castro

A Art Basel é uma das principais feiras de arte da actualidade; todos os anos o evento tem lugar na sua cidade natal — Basileia, na Suíça — e, adicionalmente, em três outras cidades; uma das localizações da feira onde o volume de negócios é assaz significativo e onde estão presentes galerias e coleccionadores poderosos é Miami Beach, na Florida. Na edição de 2013, quem esteve pelas praias da costa do Atlântico pôde ver, durante os dias que durou o importante evento, uma pequena avioneta alugada que fazia voar fitas com mensagens; mas, ao invés da habitual publicidade a festas em discotecas, estas fitas continham um tipo de preces muito invulgares: numa delas, por exemplo, lia-se «HANS ULRICH OBRIST HEAR US»

89. Marguerite Duras. 2016. Dias Inteiros nas Árvores & Savannah Bay. Lisboa: Artistas Unidos / Livros Cotovia.

89. Marguerite Duras. 2016. Dias Inteiros nas Árvores & Savannah Bay. Lisboa: Artistas Unidos / Livros Cotovia.

Ana Ferraria

Da vontade de trazer para o papel os textos encenados pela companhia de teatro Artistas Unidos nasceu, em parceria com a editora Cotovia, a colecção Livrinhos do Teatro que, com a publicação em Novembro de 2016 de Dias Inteiros nas Árvores & Savannah Bay, de Marguerite Duras, ultrapassou a primeira centena de títulos. A tradução portuguesa de Dias Inteiros nas Árvores, a cargo de Vieira de Lima, estreou em 1992, e a de Savannah Bay, de António Barahona, em 1985.

87. Picasso-Giacometti. 4 de Outubro de 2016 – 5 de Fevereiro de 2017. Musée Picasso Paris. Exposição.

87. Picasso-Giacometti. 4 de Outubro de 2016 – 5 de Fevereiro de 2017. Musée Picasso Paris. Exposição.

Marana Borges

«Ele me fascina, me fascina como um monstro.»* É assim que Alberto Giacometti (1901-1966) fala sobre Pablo Picasso (1881-1973) a Stravinsky, lembrando a amizade que tiveram em Paris durante a Segunda Guerra Mundial. Também é exatamente este o tom da exposição Picasso-Giacometti, no Museu Picasso de Paris: uma tentativa de evidenciar a amizade entre ambos que termina por tecer uma relação essencialmente assimétrica. Da obra de Giacometti ficamos com uma visão pouco elogiosa, enquanto o espanhol de Málaga instaura-se como um gênio assombroso e incomparável.

86. Neil MacCormick. 1999 [2008]. Questioning Sovereignty. New York: Oxford University Press.

86. Neil MacCormick. 1999 [2008]. Questioning Sovereignty. New York: Oxford University Press.

Pedro Tiago Ferreira

Questioning Sovereignty is the first volume of a quartet titled Law, State and Practical Reason. The other volumes are Rhetoric and the Rule of Law (2005), Institutions of Law (2007) and Practical Reason in Law and Morality (2008). The author of these works, Neil MacCormick, a Scottish and British national, died in 2009. He was a Professor of Law at Edinburgh University whose specialty was Jurisprudence, Legal Theory and Philosophy of Law. His academic functions were suspended between 1999 and 2004, as he was elected Member of the European Parliament for the Scottish National Party. During his tenure as Member of the European Parliament he also served as member of the Convention on the Future of Europe between 2002 and 2003, the body responsible for the Draft Treaty establishing a Constitution for Europe, which did not come into force as it was rejected after referenda held in France and Holland. As international treaties must be ratified by the party in question before they are applicable to it, a Constitution for Europe designed to substitute a full-fledged federal state for what is now known as “European Union” would only be feasible if all its member states were to ratify it. Notwithstanding the positive results obtained in referenda held in Spain and Luxembourg, the rejections in France and Holland halted the process in the remaining member states and induced a “period of reflection” which culminated with the removal, from the text of the Treaty, of all federal references. The result is the Treaty of Lisbon, which entered into force in 2009 and instituted the European Union.

85. Johnny Cash. 2016. Forever Words. New York: Blue Rider Press.

85. Johnny Cash. 2016. Forever Words. New York: Blue Rider Press.

Telmo Rodrigues

It is only fitting that Johnny Cash’s Forever Words: The Unknown Poems was published in late 2016, only a few weeks after Bob Dylan was awarded the Nobel Prize in Literature. It is not fitting for the dignity Dylan’s prize bestowed upon singers and songwriters (although some was indeed bestowed), and it is not fitting because it entitles the editor of the volume, Paul Muldoon (himself a poet), to select lyrics of songs Cash never recorded and call them “poems”; what makes the publishing timing for this book perfect is the public discussion, aroused by Dylan’s award, about the validity of counting songwriting as literature, for this volume represents the unflawed way to end the discussion: to present a book of good poetry.

84. Peter Kivy. 2006. The Performance of Reading: An Essay in the Philosophy of Literature. Oxford: Blackwell.

84. Peter Kivy. 2006. The Performance of Reading: An Essay in the Philosophy of Literature. Oxford: Blackwell.

Inês Morais

In 2010 I published in the journal Disputatio a review of Peter Kivy’s book The Performance of Reading (1). The book promised a revisionary account of the activity of reading literature, one that clashes with current common-sense views. It is prudent to listen to common-sense and learn from tradition, but, at times, widespread, even ingrained beliefs are just falsehoods. Entire communities can be, and sometimes are, mistaken, deluded, for instance when they misinterpret the evidence or when they miss or ignore some detail that matters. And often, mistaken views breed more mistaken views, so it is important that philosophy uncovers and corrects mistakes. Kivy’s book aimed at countering what he considered to be an error in common-sense views of literature reading. At the time, I claimed that Kivy’s arguments against common-sense were not compelling enough for us to abandon common-sense. I was wrong.

83. Stephen King. 2009. Under the Dome. New York: Scribner

83. Stephen King. 2009. Under the Dome. New York: Scribner

Pedro Tiago Ferreira

In Under the Dome, a long and thrilling book, Stephen King caricaturises several problems which are transversal to all human societies. The environmental question posed by the greenhouse effect, the economic problem of scarcity of resources, the crumbling of law and justice before rhetorical demagogy, which is connected to the perversion of political power for personal rather than public use, are some of the issues King cleverly engages in this well-written and well-structured novel.

82. Mário Lopes. 2015. A Ganhar ou a Perder: Um Ano de Sporting. Lisboa: Edições Paquiderme.

82. Mário Lopes. 2015. A Ganhar ou a Perder: Um Ano de Sporting. Lisboa: Edições Paquiderme.

Telmo Rodrigues

Numa das trinta crónicas que compõem o livro A Ganhar ou a Perder, descrevendo um lance que se passa perto da baliza do topo norte do estádio de Alvalade, Mário Lopes afirma que «desde a bancada sul, não se percebe nada do que se passa» (p. 99). A afirmação é verdadeira e posso confirmá-la pelo simples facto de também eu me sentar nessa bancada, tão longínqua da «baliza pequena», nome usado por oposição à «baliza grande», aquela que fica junto ao topo sul, onde estão as claques do Sporting Clube de Portugal, e onde tanto eu como o autor nos sentamos quinzenalmente (num mundo ideal) para ver o nosso clube jogar.

81. Louis C.K. 2016. Horace and Pete.

81. Louis C.K. 2016. Horace and Pete.

Rodrigo Almeida e Sousa

Não deve ser só impressão minha. Lembro-me de ver, na velha estante do meu avô, o Discurso do Método assinado por «Renato» Descartes e sentir de imediato a ironia a correr-me nos axónios. Corrijam-me se estiver errado, mas parece-me que não sou o único a, no mínimo, sorrir ante traduções literais de nomes, terriolas, negócios locais, ou comidas. Existe, porém, uma grande diferença entre o filósofo francês e as personagens de Louis C.K.: enquanto René não é de todo um «Renato», Horace e Pete são efectivamente, ou quase, um «Horácio» e um «Pedro». Embora «Horácio» não seja por cá muito frequente, nem porventura tradicional, não deixa de soar à antiga; quanto a «Pedro», corresponde na perfeição às características pretendidas.

80. PAUL EGGERT. 2009. SECURING THE PAST: CONSERVATION IN ART, ARCHITECTURE AND LITERATURE. NEW YORK: CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS.

80. PAUL EGGERT. 2009. SECURING THE PAST: CONSERVATION IN ART, ARCHITECTURE AND LITERATURE. NEW YORK: CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS.

Pedro Tiago Ferreira

Paul Eggert sums up Securing the Past by stating that it “is the first book to bring the arts of restoration together to examine their linked, underlying philosophies.” (p. 9) The arts of restoration to which Eggert alludes encompass what is done in the field of Art lato sensu, which includes, as the subtitle of Securing the Past makes clear, Architecture and Literature, besides Art stricto sensu. I shall use the term “Art,” in this review, in its restricted sense to mean painting and sculpture, as these are the art forms with which Eggert is mainly concerned.