Sobre o motivo ornitológico

As aves, dificilmente imaginadas como dinossauros, desde sempre fascinaram o Homem, motivando um exercício contemplativo simultaneamente atento e demorado. Atuais representantes daqueles animais (as aves são dinossauros avianos), apresentam-se em alguns casos com uma aparência desconcertante. Este facto motivou, no passado, a descrença em relação à existência de certas formas. Serve de exemplo o pelicano, que, na primeira edição do Systema Naturae (Linnaeus, 1735), surge integrado nos Paradoxa, grupo que incluía todas as formas que confundiam a classificação de Linnaeus ou de existência duvidosa. Para Carolus Linnaeus, aquele animal era provavelmente fruto da imaginação dos exploradores do Novo Mundo (Dobson et al., 2008).

Tidas, recorrentemente, como emblemas maiores da paisagem paradisíaca (e.g. Attenborough & Fuller, 2012), as aves incluem um repertório vasto e pleno de mediatismo histórico, mítico e simbólico. O folclore, enquanto manifestação da cultura e tradição popular, atribuiu-lhes conotações várias, traduzindo de forma magistral e diversa a relação intemporal e paradoxal de proximidade-distanciamento entre o Homem e aqueles animais. Exemplos emblemáticos: o mocho-galego, Athene noctua (Scopoli, 1769), na sua elegância discreta, é sinónimo de sabedoria; a pomba branca imaculada é símbolo de paz; o corvo, pintado em tons de negro-carvão, remete para a morte. Mitos, lendas, contos e fábulas, a par de obras literárias de vulto e de outras manifestações artísticas de índole variada, testemunham o mediatismo das aves, porventura sem paralelo em qualquer outro grupo animal, traduzindo diferentes formas de ver aqueles animais e, portanto, diferentes formas de estar na realidade mundana. A sétima arte também não ficou alheia a tal mediatismo, designadamente ao dicionário simbólico das aves, que surge documentado em diferentes filmes. Obra de culto, a longa-metragem The Birds (Hitchcock, 1963), baseada na obra homónima da escritora britânica Daphne du Maurier, apresenta-se plena de significado simbólico enquanto alusão a uma perda da ordem natural.

A ciência encontrou também nas aves um mote perfeito para os seus devaneios. A capacidade de voar rumo a um destino tantas vezes por definir inspirou o Homem na conquista do céu, que assim se apropriou do plano natural (estrutural) para a construção da máquina voadora.

Detentoras de uma história natural e cultural declaradamente particular, as aves foram sendo entendidas de forma díspar em diferentes contextos. No decurso do tempo, foi, contudo, constituído um domínio de estudo dedicado — a ornitologia —, que hoje se apresenta assente num corpo de conhecimento vasto, estruturado e devidamente integrado no corpo teórico da ciência. O termo birdwatching já faz parte do léxico, facto que denuncia, por si só, o interesse de biólogos (amadores e profissionais) pela área.

Comuns em contexto urbano, discretas ou ostensivas, as aves afirmam a sua presença de maneiras várias, integrando-se no bulício citadino como quem vive alheio à agitação que grassa em volta. Em repouso num qualquer ramo ou ninho, ou no chão, em movimento, perscrutam a envolvência numa procura instintiva e obstinada de alimento ou parceiro, garantes primeiros da sobrevivência individual e coletiva. O piar e o canto, atos sempre plenos de intencionalidade, o último afirmando-se mais ou menos melodioso em diferentes notas, garantem-lhes visibilidade, atribuindo-lhes simultaneamente uma dimensão que ultrapassa a pura materialidade. No verão, o calor convoca bandos de dimensão colossal, que rasgam o céu citadino num bailado sincronizado e ritmado, aparentemente guiado pela batuta de um maestro invisível.

Consideradas segundo uma perspetiva de conjunto, as aves compõem um grupo heterogéneo, enquadrando-se as diferentes espécies, num espectro alargado de formas e tamanhos. O colibri-abelha-cubano, Mellisuga helenae (Lembeye, 1850), espanta pela sua dimensão (aproximadamente cinco centímetros em comprimento), assim como a avestruz, Struthio camelus Linnaeus, 1758, que está no extremo oposto do espectro (dois metros ou mais em altura). Perante a diversidade específica observada, compreende-se com facilidade que as aves se afirmem como um grupo cosmopolita, presente nos mais diversos ecossistemas terrestres e aquáticos (os últimos incluindo lagoas, charcos, rios, estuários, pauis, regiões marinhas costeiras e o alto-mar). A ubiquidade denuncia o seu sucesso coletivo, ou seja, o seu sucesso enquanto grupo que, durante o tempo evolutivo, foi capaz de se adaptar às características dos diferentes ecossistemas. Para tal, muito terão contribuído as adaptações morfológicas e fisiológicas ao voo, garante por excelência da conquista de novos habitats. A passagem do tempo assegurou e continua a assegurar a plena adaptação e hoje as aves afirmam-se pela sua enorme relevância ecológica, funcionando como verdadeiros indicadores do estado de saúde dos respetivos habitats.

 

Sobre a eloquência iconográfica

Uma ilustração científica é uma narrativa gráfica que sintetiza e sistematiza um determinado conjunto de dados, relativos a um objeto, conceito ou ideia, de natureza mais ou menos diversa, e obtidos de acordo com o método científico. Invariavelmente, representa uma interpretação, plasmada na forma de um exercício iconográfico que se revela influenciado pelo sentido estético do ilustrador. Plena de objetividade, remete para um domínio ilustrativo específico, apresentando objetivos determinados em face de um enquadramento contextual particular. Importa, portanto, entendê-la na sua intencionalidade, pelo que o processo de observação deverá estar devidamente alicerçado no trinómio olhar-ver-reparar (podendo olhar, há que ver efetivamente o todo e reparar no pormenor).

Figura 1. Exemplo de ilustração ornitológica - Coruja-do-mato, Strix aluco Linnaeus, 1758 (ilustração a grafite). Autor: Francisca Cavaleiro

Figura 1. Exemplo de ilustração ornitológica - Coruja-do-mato, Strix aluco Linnaeus, 1758 (ilustração a grafite).
Autor: Francisca Cavaleiro

A ilustração ornitológica (Figura 1), um dos mais antigos, mediáticos e tradicionais domínios da ilustração científica, encontra hoje expressão numa iconografia volumosa, plena de relevância histórica e esteticamente impactante. Necessariamente, portanto, o trabalho de revisão iconográfica revela-se exaustivo, exigindo um exercício metódico de avaliação crítica das ilustrações perante os respetivos enquadramentos contextuais.

No século passado, em 1938, a publicação da obra Bird Books and Bird Art: An Outline of the Literary History and Iconography of Descriptive Ornithology (Anker, 1938) refletia já a importância de se estabelecer o estado da arte da iconografia ornitológica, sendo que a secção II da mesma apresenta um catálogo relativo à coleção de livros até à data, incluindo ilustrações de índole ornitológica. Quatro décadas mais tarde, a enorme relevância ainda atribuída à obra motivou uma reedição da mesma no âmbito da comemoração da inauguração do novo edifício da Biblioteca Universitária de Copenhaga (Anker, 1979).

Tidas geralmente como mote improvável de manifestações de arte rupestre — o senso comum dita que se pense em mamíferos de grande porte —, é um facto que já no Paleolítico Superior as aves constituíam motivos iconográficos importantes. Entender a iconografia ornitológica do Paleolítico Superior como uma manifestação artística rara é errado, sendo, contudo, verdade que as representações de aves daquele período são manifestamente escassas quando em comparação com as representações relativas aos mamíferos de grande porte (principal objeto de caça). Digno de registo, o realismo de muitas representações (desenhos de contorno) permitiu a identificação de diferentes formas (Anker, 1979).

Figura 2. Pintura mural egípcia (ca. 1350 a.C.) – fragmento da parede da capela tumular de Nebamun, no qual se observam representadas várias aves (atualmente na coleção do Museu Britânico) Autor: Desconhecido Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Tomb_of_Nebamun#/media/File:TombofNebamun-2.jpg

Figura 2. Pintura mural egípcia (ca. 1350 a.C.) – fragmento da parede da capela tumular de Nebamun, no qual se observam representadas várias aves (atualmente na coleção do Museu Britânico)
Autor: Desconhecido
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Tomb_of_Nebamun#/media/File:TombofNebamun-2.jpg

O tempo foi ditando a evolução dos usos e costumes e a forma de estar no mundo, individual e coletiva, alterou-se paulatinamente. O entendimento sobre as aves não escapou incólume às mudanças verificadas. Diferentes culturas foram-nas olhando através de prismas vários, atribuindo-lhes significados históricos, míticos e simbólicos diversos. A sociedade do Antigo Egito concedeu-lhes declarado destaque em termos culturais (Houlihan, 1986), conforme denunciado pelas diferentes manifestações artísticas e hieróglifos (Figura 2). Um olhar atento permite, aliás, identificar diferentes formas nas manifestações artísticas daquele contexto histórico. Assaz elucidativas são as pinturas murais em suporte calcário da XII dinastia egípcia (reinado de Amenemhat II, ca. 1919-1885 a.C.) que adornam o túmulo de Khnumhotep III (de acordo com alguns historiadores, Khnumhotep II; túmulo 3; datado de ca. 1897-1878 a.C.). Em concreto, na pintura referida como «Pássaros numa Acácia», identificam-se uma poupa, picanços e um pisco-ferreiro. De mencionar as aguarelas de Howard Carter, o arqueólogo e egiptólogo britânico que ficou conhecido na História por ter descoberto o túmulo de Tutankhamon. As aguarelas de Carter são inspiradas nas pinturas por ele observadas, estando entre as aves ilustradas o abutre, o bútio, a codorniz, a coruja, o falcão, o ganso, a íbis, o pato, o picanço e a rola.

Séculos mais tarde, já em plena Idade Média, os bestiários, obras profusamente ilustradas que viriam a ficar associadas à cultura inglesa, documentavam a história natural das aves, peixes e bestas. As formas representadas incluem-se nos domínios do real e do fantástico, sendo que aqueles objetos de luxo, geralmente na posse de famílias nobres e abastadas, tinham também por objetivos ilustrar exemplos morais a partir do comportamento animal e revelar sentidos místicos (refira-se o caso da fénix, que se entendia simbolizar a ressurreição de Cristo). As ilustrações dos bestiários apresentam, portanto, características únicas. Regra geral, as diferentes representações apresentam-se num estilo gótico, que se impõe pelo emprego deslumbrante da cor (Barber, 2016). Também de índole moralizante é o Livro das Aves, manuscrito iluminado do século XII (1184), amplamente divulgado na Europa medieval e que representa uma cópia do livro I (De auibus ou Liber Auium) do tratado De bestiis et aliis rebus (Fouilloy, 1999) (Figura 3).

Figura 3. Ilustração de um gavião apresentada na obra Livro das Aves (Fouilloy, 1184) Autor: Egeas Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Livro_das_Aves_0033_De_Accipitre.jpg

Figura 3. Ilustração de um gavião apresentada na obra Livro das Aves (Fouilloy, 1184)
Autor: Egeas
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Livro_das_Aves_0033_De_Accipitre.jpg

No decurso do Renascimento, o Homem assumiu uma nova atitude em relação ao entendimento do mundo. Crenças e superstições medievais foram sendo abandonadas de forma progressiva, em prol de um pensamento racional, sustentado numa atitude crítica em face daquilo que é a realidade. Contudo, o catálogo Icones Animalivm Qvadrvpedvm Viviparorvm et Oviparorvm, Qvae in Historiae Animalivm Conradi Gesneri Libro I. et II. Describvntvr, Cvm Nomenclatvris Singvlorvm Latinis, Graecis, Italicis, Gallicis, et Germanicis Plervnqve, et Aliarvm Qvoqve Lingvarvm, Certis Ordinibvs Digestae (Gessner, 1560), obra que viria a granjear a Conrad Gessner o título de «pai da zoologia», documenta ainda a prevalência de uma certa crença no fantástico e, em certos casos, uma óbvia falta de correspondência com a realidade observada. Ainda assim, a obra consagra demorada atenção às aves, que, conforme as demais formas de vida, surgem ilustradas na técnica da xilogravura. Esta, pelas suas limitações, não permite conferir elevado nível de detalhe e realismo à arte final, pelo que as ilustrações não se apresentam particularmente belas. A mesma observação é válida para as ilustrações do trabalho enciclopédico de Ulisse Aldrovandi (Figura 4), igualmente publicado durante o Renascimento, e que compreende três volumes dedicados à fauna ornitológica (Aldrovandi, 1599-1603).

Figura 4. Ilustração de uma coruja apresentada na obra Ornithologiae, hoc est de Avibvs Historiae libri XII (Aldrovandi, 1599-1603) Autor: Ulisse Aldrovandi Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aldrovandi_Owl.png

Figura 4. Ilustração de uma coruja apresentada na obra Ornithologiae, hoc est de Avibvs Historiae libri XII (Aldrovandi, 1599-1603)
Autor: Ulisse Aldrovandi
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aldrovandi_Owl.png

Tempos posteriores viriam a ditar um rumo particular para a evolução técnica, que se traduziu na gradual melhoria da obra iconográfica no que ao impacto estético diz respeito. O século XIX é o período temporal em que a ilustração ornitológica atingiu o auge enquanto manifestação artística. De facto, diferentes ilustrações então produzidas viriam a tornar-se icónicas pela sua beleza refinada. Incontornável, a obra de John Gould, eminente taxidermista britânico que entretanto se fez ilustrador e que dedicou grande parte da sua vida ao estudo das aves, apresenta-se volumosa e profusamente ilustrada, versando a avifauna de diferentes continentes (Gould 1830-1833, 1832-1837, 1833-1835, 1835-1838, 1837-1838a, 1837-1838b, 1840-1848, 1844-1850, 1849-1861, 1851-1869, 1852-1854, 1855, 1858-1875, 1862-1873, 1875-1888, 1880-1881, 1880-1887). As ilustrações são da autoria do próprio e de outros ilustradores por ele contratados, mais concretamente George Scharf, Elisabeth Gould, esposa do próprio John Gould, Edward Lear, Joseph Wolf, Henry Constantine Richter e William Matthew Hart. O sentido de justiça determina que se mencione também John James Audubon, referência maior da arte da ilustração ornitológica do século XIX, e que à semelhança de Alexander Wilson ilustrou a avifauna do território norte-americano (Wilson, 1871; Audubon, 1827-1838). A excelência do trabalho de Audubon (Figura 5) encontra tradução imediata no facto de as espécies terem sido ilustradas no seu tamanho real (!). Obviamente, houve casos em que a pose dos animais teve de ser formatada para que a ilustração pudesse caber na área das maiores folhas de papel disponíveis (double elephant folio – dimensões: 100×75 cm). Também sinal dessa excelência é o facto de a primeira edição da obra The Birds of America: from Original Drawings by John James Audubon (Audubon, 1827-1838) ser um dos livros mais caros de sempre.

Figura 5. Ilustração de águia-real (Aquila chrysaetos) apresentada na obra Birds of America (Audubon, 1827-1838) Autor: John James Audubon Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:181_Goldon_Eagle.jpg

Figura 5. Ilustração de águia-real (Aquila chrysaetos) apresentada na obra Birds of America (Audubon, 1827-1838)
Autor: John James Audubon
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:181_Goldon_Eagle.jpg

Ainda no século XIX, a invenção da máquina fotográfica tornou possível um novo tipo de registo iconográfico com características únicas. Contudo, as vantagens do desenho em face das limitações da fotografia foram desde logo reconhecidas e, sinónimo disso, o desenho continuou a figurar nos catálogos alusivos à vida da época. Importante testemunho é dado pelos catálogos ornitológicos, exemplo maior dos quais é aquele publicado em Portugal no início do século XX, e que traduz o notável trabalho de investigação ornitológica realizado por Sua Alteza Real, o Rei Dom Carlos de Bragança. Inspirado por Henry Eeles Dresser, eminente ornitólogo britânico e autor da obra A History of the Birds of Europe Including all the Species Inhabiting the Western Palaearctic Region (Dresser, 1871-1881), o Rei D. Carlos realizou um trabalho de investigação exaustivo, que resultou na publicação da obra Catalogo Illustrado das Aves de Portugal (Sedentarias, de Arribação e Accidentaes). Em vida do Rei, a obra materializou-se na forma de dois volumes (Bragança 1903, 1907), impressos na então designada Imprensa Nacional, cada um dos quais incluindo vinte estampas aguareladas da autoria de Enrique Casanova, pintor da Real Câmara. A sua relevância no âmbito do estudo e conhecimento da fauna ornitológica portuguesa ditou uma reedição em 1983 pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda (Bragança, 1983). Dois anos mais tarde, em 1985, foi editado um suplemento com cinquenta e três estampas, também pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda (Bragança 1985), e, já em 2002, foram publicadas mais cento e quatro ilustrações inéditas entretanto descobertas na biblioteca particular do Rei e atualmente património cultural do Aquário Vasco da Gama (Bragança, 2002). Importa salientar que o contributo português para a iconografia ornitológica respeita também à avifauna das antigas colónias ultramarinas. Mais concretamente, durante aquelas que ficaram conhecidas como as «Viagens Philosophicas» — conjunto de expedições a Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique, financiadas pela Coroa Portuguesa, que tiveram lugar no final do século XVIII —, os ilustradores científicos, então designados por «riscadores», ajudaram a documentar o património natural ultramarino, objetivo maior definido pela Coroa para aquelas viagens. Entre as formas ilustradas pelos riscadores estão diversas espécies de aves (Figura 6).

Figura 6. Ilustração de aratinga sol (Aratinga solstitialis solstitialis) realizada durante a «Viagem Philosophica» ao Brasil liderada por Alexandre Rodrigues Ferreira (no volume ‘Desenhos de gentios, Animaes Quadrupedes, Aves, Amphibios, Peixes e Insectos da Expedição Philosophica do Pará, Rio Negro, Matto Grosso e Cuyabá. Originaes’ do acervo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa) Autor: José Joaquim Freire (1786?) Fonte: http://www.museus.ulisboa.pt/en/node/1674

Figura 6. Ilustração de aratinga sol (Aratinga solstitialis solstitialis) realizada durante a «Viagem Philosophica» ao Brasil liderada por Alexandre Rodrigues Ferreira (no volume ‘Desenhos de gentios, Animaes Quadrupedes, Aves, Amphibios, Peixes e Insectos da Expedição Philosophica do Pará, Rio Negro, Matto Grosso e Cuyabá. Originaes’ do acervo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa)
Autor: José Joaquim Freire (1786?)
Fonte: http://www.museus.ulisboa.pt/en/node/1674

Sendo certo que a ilustração ornitológica desempenhou, durante muitos séculos, uma função declaradamente ornamental, a evolução da ornitologia determinou também novos formatos para a estampa ornitológica. Esta, ao ter evoluído no sentido de se tornar mais técnica, passou a considerar os diferentes sexos e estados de desenvolvimento, o que permite utilizá-la como ferramenta no processo de identificação dos indivíduos ao nível específico.

Em conclusão, a ilustração ornitológica pode ser entendida sob várias perspetivas, sendo que as observações aqui realizadas pretendem apenas apresentar ao leitor uma temática apelativa, sempre atual e plena de significado histórico. Entender a ilustração ornitológica nos seus múltiplos contextos é também compreender a nossa forma de estar no mundo e o modo como a mesma evoluiu ao longo dos séculos.

 

Bibliografia

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Bragança, C. (1983). Catalogo Illustrado das Aves de Portugal (Sedentarias, de Arribação e Accidentaes). Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, Portugal.

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