O olho mal consegue distingui-los
Da sombra fresca onde se abrigam,
Até que o vento destrança cauda e crina;
Depois um come relva, e anda um pouco
— O outro parecendo olhar em frente —
E permanece de novo anónimo. 

Porém, há quinze anos, talvez
Duas dúzias de comprimentos bastassem
Para os fabular: tardes vagas
De corridas de Puro Sangue,
Pelo que os seus nomes eram engendrados
Para esmaltar Junhos clássicos que esmorecem —

Uniformes na partida: contra o céu
Números e sombrinhas: lá fora,
Esquadrões de carros vazios, e calor,
E relva poluída: e depois o longo berro
Permanecendo tumultuoso até se amainar
Em colunas de jornal espalhadas pela rua.

As memórias importunam as suas orelhas como moscas?
Abanam a cabeça. O crepúsculo enche as sombras.
Verão a Verão escapuliu-se tudo,
Os pontos de partida, as multidões e os clamores —
Tudo menos os prados benevolentes.
Registados em almanaques, os seus nomes perduram; 

Soltaram-se dos seus nomes, e permanecem à vontade,
Ou galopam por o que deve ser alegria,
E nem um par de binóculos os acompanha,
Nem profecias cronometradas e intrometidas:
Só o cavalariço e o seu ajudante,
Que vêm com rédeas ao entardecer.

Larkin, Philip, The Complete Poems. ed. Archie Burnett. 2012. Londres: Faber & Faber, 2018.

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