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Ana Isabel Soares

6. Jacques Rancière, Os Intervalos do Cinema, Lisboa: Orfeu Negro, 2012.

6. Jacques Rancière, Os Intervalos do Cinema, Lisboa: Orfeu Negro, 2012.

Por Ana Isabel Soares

O fulcro temático de Os Intervalos do Cinema (título tão ambíguo quanto preciso) é a ideia de intervalo — dos espaços que se constituem entre uma coisa e outra, preenchidos ou preenchíveis com sucessivas tentativas de entendimento do que rodeia esses interstícios. É neles, nesses intervalos, que o autor se coloca, talvez não tanto para conhecer o espaço entre um lugar e outro, mas para ficar de fora de ambos; para, estando de fora, desconhecer e poder, a partir daí, investigar. É um modo de auto-pedagogia: sair do campo, seguir em sentidos diferentes e olhar sempre para o sentido por onde não se vai. Rancière pretende ser o ignorante cuja mestria está em apanhar o conhecimento quando este baixa a guarda; ou seja, nos espaços e nos momentos intervalares.