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Hugo Pinto Santos

21. Frederico Pedreira, Um Bárbaro Em Casa (2014)

21. Frederico Pedreira, Um Bárbaro Em Casa (2014)

Hugo Pinto Santos

Quem pode – questiona algures Dostoievski – conhecer-se a si próprio e respeitar-se? Esta interrogação podia ser o antepassado mais ou menos afastado de todas as castas de abjeccionismo. Até dos que, realmente, não o são. A autodepreciação que se pode intuir no narrador e nas efabulações de Um Bárbaro em Casa seriam, quando muito, uma declinação irónica e contida, reflexiva mas desprendida, dessa antiguidade. Essa prerrogativa advém-lhe de algo que tem que ver com os seus constituintes internos, com a sua engenharia profunda, se for possível exprimir assim o que está longe dessa tentativa de terminologia tão-só aproximativa. Onde talvez pudéssemos escavar a raiz destes escritos, existe um esfacelamento de géneros que, neste caso, se revelou eximiamente profícuo.