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Filipe Marques Fernandes

262. Alan S. Kahan, Freedom from Fear: An Incomplete History of Liberalism

262. Alan S. Kahan, Freedom from Fear: An Incomplete History of Liberalism

Filipe Marques Fernandes

Quem tem medo não é livre. Esta afirmação constitui o ponto de partida da definição de liberalismo proposta por Alan S. Kahan em Freedom from Fear. A uma vida livre de medo, o historiador aliou a esperança no futuro: eis o pai e a mãe do liberalismo; mas o entendimento de que as comunidades políticas vivem fundamentalmente na intersecção destas duas inquietações suscita algumas perguntas, por exemplo: medo de quê? Esperança em quê? Kahan dá-nos a conhecer as suas respostas nesta obra de síntese. Ao fazer uma história intelectual da unidade, diversidade e evolução dos liberalismos históricos, o autor assume também a ambição de reorientar o debate sobre esta tradição política, nortear os seus defensores e esclarecer os seus críticos, com a consciência de que o «ismo» da liberdade significa (cada vez mais) muitas coisas distintas para muitas pessoas diferentes.

198. Anthony Grafton, The Footnote. A Curious History

198. Anthony Grafton, The Footnote. A Curious History

James Dias

Filipe Marques Fernandes

Publicado simultaneamente pela Harvard University Press e pela Faber and Faber, o livro de Grafton mergulha num campo de interesse historiográfico escassamente povoado e representa uma primeira tentativa de ensaio global sobre a origem da nota de rodapé, pretendendo colmatar as lacunas deixadas pelos estudos esparsos que compunham a bibliografia disponível. Desengane-se, contudo, quem pretenda encontrar neste tratado uma história geral da referenciação infrapaginal. A obra, que no presente ano cumpre 25 anos da publicação do texto original, contou com diferentes traduções, cujos títulos restringiram significativamente a abrangência do objecto, incrementando a sua especificidade. A organização da obra denuncia a intenção de traçar uma árvore genealógica da prática de anotação em rodapé. Grafton não procura oferecer um sistema fechado sobre a sua origem, mas antes conduzir o leitor num caminho inversamente cronológico através de uma estratificação temporal transposta para uma narrativa antológica, em que cada anedota conta um passo substancial no devir da nota de rodapé no campo da história.