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Nuno Amado

18. Jerónimo Pizarro, Pessoa Existe?, Lisboa: Ática (2012)

18. Jerónimo Pizarro, Pessoa Existe?, Lisboa: Ática (2012)

Por Nuno Amado

A resposta à inusitada pergunta que serve de título ao livro de Jerónimo Pizarro dá-a o autor no final do capítulo nono, em cujo título a mesma pergunta se repete: «Pensar Pessoa, editar Pessoa – actividades intimamente ligadas – não resgatam Pessoa, não nos devolvem uma imagem única e mágica, senão muitos Pessoas, também eles múltiplos, cuja multiplicidade já se encontrava, ou já se podia intuir, na materialidade das fontes e na forma dos textos. (p.192)» Tal resposta evidencia, a meu ver, duas coisas: a posição crítica geral de Pizarro face à obra pessoana, sobre a qual versará quase tudo o que tenho a dizer, e uma pequena explicação das razões dessa posição.

2. Agustina Bessa-Luís, Kafkiana, Lisboa: Babel, 2012.

2. Agustina Bessa-Luís, Kafkiana, Lisboa: Babel, 2012.

Por Nuno Amado

Sempre que, com o objectivo de descrever a escrita de Kafka, se utilizam adjectivos como “pessimista”, “melancólica” ou “neurótica”, fico com a impressão de que nunca se leu o conto sobre o celibatário Blumfeld e se devia dormitar enquanto se liam alguns episódios d’O Processo, como aquele em que Joseph K. surpreende um algoz com roupas de couro a açoitar, numa arrecadação, os dois homens que, no início do romance, lhe tinham aparecido no quarto a anunciar a prisão. Ora, é precisamente em não ser esse o caso deste pequeno livrinho que reside um dos méritos — talvez o mais saliente — da apreciação kafkiana que nele se desvela.