Maria Rita Furtado
Zachary Leader (professor emérito da Universidade de Roehampton e biógrafo de Saul Bellow e Kingsley Amis) publicou, em 2025, Ellmann’s Joyce: The Biography of a Masterpiece and Its Maker. Lendo o título completo, percebemos que além de o livro de Leader ser sobre o biógrafo Richard Ellmann, é também sobre a grande biografia que Ellmann escreveu, a saber, a de James Joyce, intitulada, precisamente, James Joyce (1959). Contudo, se por um lado a promessa feita pelo subtítulo (de que leremos «a biografia de uma obra-prima e de quem a fez») é não só cumprida, mas ultrapassada — uma vez que além de nos pôr a par de muitíssimos factos acerca da vida de Richard Ellmann, daquilo que o levou à escrita da biografia de James Joyce e do processo de escrita em si, Leader discute, por exemplo, questões relativas ao que constitui uma biografia e em que consiste a vida de um académico bem-sucedido —, por outro, fica parcialmente por cumprir, já que pouco nos é dito acerca da história de Ellmann depois da publicação da sua grande obra.
Hugo Miguel Santos
No prefácio ao primeiro volume de Poesia Italiana del Novecento (1969), Edoardo Sanguineti descreve a antologia como um género literário anfíbio «que oscila naturalmente entre o museu e o manifesto», convidando o leitor a «percorrer a galeria das suas salas ordenadas», sem nunca deixar de propor «uma linha de investigação, não só crítica como operativa, a partir da qual organiza o todo».
Filipe Marques Fernandes
Quem tem medo não é livre. Esta afirmação constitui o ponto de partida da definição de liberalismo proposta por Alan S. Kahan em Freedom from Fear. A uma vida livre de medo, o historiador aliou a esperança no futuro: eis o pai e a mãe do liberalismo; mas o entendimento de que as comunidades políticas vivem fundamentalmente na intersecção destas duas inquietações suscita algumas perguntas, por exemplo: medo de quê? Esperança em quê? Kahan dá-nos a conhecer as suas respostas nesta obra de síntese. Ao fazer uma história intelectual da unidade, diversidade e evolução dos liberalismos históricos, o autor assume também a ambição de reorientar o debate sobre esta tradição política, nortear os seus defensores e esclarecer os seus críticos, com a consciência de que o «ismo» da liberdade significa (cada vez mais) muitas coisas distintas para muitas pessoas diferentes.
José Álvaro Ruas
Ao longo do deserto tímbrico que habitamos, é um alívio ouvir este álbum. Já muito se escreveu sobre Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir e muito bem, mas no geral a autora continua a ser a melhor crítica. É uma obra completíssima e que abre caminhos: leva-nos a ouvir outros artistas, a conhecer novos velhos instrumentos, a perceber porque é que na primeira faixa a sua contra-voz só dura 7 segundos, a explorar mais a história do Fado, e mais. Mas focar-me-ei em apenas dois pontos. O primeiro é a tentativa de perceber qual é a receita do disco, o segundo é uma investigação arriscada sobre a temática do álbum a partir da crítica de alguns dos poemas.