146. GIORGIO BASSANI. 2014, 2016, 2017. THE SMELL OF HAY. WITHIN THE WALLS. BEHIND THE DOOR. TRAD. JAMIE McKENDRICK. LONDRES: PENGUIN.

146. GIORGIO BASSANI. 2014, 2016, 2017. THE SMELL OF HAY. WITHIN THE WALLS. BEHIND THE DOOR. TRAD. JAMIE McKENDRICK. LONDRES: PENGUIN.

Tatiana Faia

A escala da obra de Giorgio Bassani, autor de Ferrara, nascido em Bolonha em 1916, é bastante singular na história do romance europeu do século XX. Bassani é verdadeiramente o autor de uma obra monumental escrita numa escala menor: novelas breves sobre personagens aparentemente insignificantes, obras primas de vinte páginas, contos imortais sobre gente que nunca sai de casa ou sobre uma discussão entre esposos, ao conduzir um carro pela província, sobre que estrada tomar na viagem de regresso a Roma. É difícil explicar o que seja ao certo o triunfo deste escritor, mas algo na sua ficção é vital não só como documento do mundo em que vivemos, mas na representação de tensões mínimas, equilíbrios fugazes entre as pessoas, por regra ocorridos sob um contexto histórico opressivo, que têm o poder de moldar as suas vidas.

145. R. W. Fassbinder. 1979. Die Ehe Der Maria Braun. Alemanha. 120 min.

145. R. W. Fassbinder. 1979. Die Ehe Der Maria Braun. Alemanha. 120 min.

Gonçalo Gomes

Serão poucos os pontos altos da carreira de Fassbinder que apresentem um carácter tão incontornável quanto Die Ehe Der Maria Braun (O Casamento de Maria Braun), filmado entre Janeiro e Março de 1978 e exibido pela primeira vez, de forma não oficial, no Festival de Cannes nesse mesmo ano (onde estava também em competição Despair), numa estreia anterior à do Festival de Berlim, em Fevereiro de 1979. Maria Braun tornou-se no filme mais triunfante de Fassbinder, tanto crítica como comercialmente. Contabilizou milhões de Deutschmarks na bilheteira alemã, valores bastante altos nos Estados Unidos, e esteve durante um ano em exibição num cinema prestigiado em Paris. Além de tornar Fassbinder numa estrela internacional, Maria Braun tornou-se um dos filmes chave do Novo Cinema Alemão, no centro do círculo que se preocupava em dominar o passado nazi, para onde contribuíam, entre muitos outros, Margarethe Von Trotta, Jutta Brückner, Helma Sanders-Brahms, Volker Schlöndorff, Hans-Jürgen Syberberg e Wim Wenders. 

144. BARBARA PYM. 2017. MULHERES EXCELENTES. LISBOA: RELÓGIO D’ÁGUA

144. BARBARA PYM. 2017. MULHERES EXCELENTES. LISBOA: RELÓGIO D’ÁGUA

Joana Graça

Mulheres Excelentes é um romance sobre pessoas comuns com expectativas realistas. Não são pessoas atraentes ou bafejadas pela sorte e nada fazem de grandioso nas suas vidas. Através da personagem principal, Barbara Pym desenvolve um romance que nos mostra a ironia das relações humanas por meio de pequenas subtilezas. Há mulheres que fazem chá em situações de crise, mulheres profissionalmente beatas, mulheres antropólogas que não sabem cozinhar, homens casados que seduzem funcionárias da Marinha, homens que parecem iludir-se facilmente e homens que sabem cozinhar e arrumar a casa. Este livro é, por isso, tanto sobre mulheres como sobre homens; porém, sobre homens e mulheres que andam visivelmente desencontrados: as mulheres excelentes ficam solteiras, e os homens excelentes entregam a sua vida a mulheres menos excelentes.

143. Miguel Pereira. 2017. Peça Feliz. 22-25 Novembro. Teatro Maria Matos. 80min.

143. Miguel Pereira. 2017. Peça Feliz. 22-25 Novembro. Teatro Maria Matos. 80min.

Raquel Montez Raimundo

Enquanto o público entrava na sala principal do Maria Matos podia ver-se, do lado esquerdo do palco, um homem jovem, com ar insosso, vestido com um fato-macaco azulão a varrer farinha (ou algo semelhante), que ia caindo de tempos a tempos do tecto. Do lado direito, víamos uma mulher e um homem sentados em frente a uma mesa que tinha sobre si um computador. No palco, podiam ver-se duas telas brancas rectangulares, uma presa ao chão, que marcava os limites cénicos dos actores/dançarinos, e outra, perpendicular à primeira, que servia simultaneamente para marcar o fim vertical do palco e reflectir inúmeras projecções no decorrer do espectáculo, que se iniciou, nesta sessão (24 de Novembro), com uma plateia particularmente pouco preenchida.

142. JOÃO TRABULO. 2017. DURANTE O FIM (DVD). 70 MIN.

142. JOÃO TRABULO. 2017. DURANTE O FIM (DVD). 70 MIN.

Sofia A. Carvalho

Cena 1, plano vertical, acção: No início era a Linha. Poderia ser este o fotograma da claquete inicial em Durante o Fim, documentário com argumento e realização de João Trabulo (cuja première, em Turim, data de 2003 e a estreia nacional de 2011, embora o início das filmagens remonte aos anos de 1999/2000) sobre o ofício linear e cerebral de Rui Chafes. Digo: a proposta fílmica de Trabulo não só recai no acompanhamento próximo dos matizes de uma linha de ferro negro a gravitar sobre um espaço, espécie de continuum metalúrgico, poético e telúrico que acompanha o trabalho artístico de Rui Chafes, como também marca um ponto de encontro entre duas linhas fortes e afinadas — as de forjadores de mundos.

140. William Shakespeare. 2017. Macbeth. 2 – 17 de Dezembro de 2017. Teatro Nacional D. Maria II. Encenação de Nuno Carinhas.

140. William Shakespeare. 2017. Macbeth. 2 – 17 de Dezembro de 2017. Teatro Nacional D. Maria II. Encenação de Nuno Carinhas.

Rita Faria

Na obra The Presentation of Self in Everyday Life (1956), onde se analisam a vida e as interacções sociais mediante categorias da dramaturgia, o sociólogo Erving Goffman escolhe para epígrafe uma citação de George Santayana em que este declara: «Masks are arrested expressions and admirable echoes of feeling, at once faithful, discreet, and superlative. (...) I would not say that substance exists for the sake of appearance, or faces for the sake of masks (…)».

139. The National. 2017. Sleep Well Beast. Hudson Valley: 4AD Records

139. The National. 2017. Sleep Well Beast. Hudson Valley: 4AD Records

Pedro Franco

Vencedor do Grammy de «Melhor Álbum de Música Alternativa», Sleep Well Beast vem marcar um ponto de viragem na sonoridade dos The National. Os fãs da velha guarda têm bons motivos para se queixar desta revolução sónica que Matt Berninger, o vocalista, refere com entusiasmo em entrevista à NME (25 Junho 2017): à malha das guitarras e das baterias sobrepõe-se, em muitas faixas, o sintetizador; recorre-se a loops; escutam-se outras cordas mais sofisticadas e mesmo coros de vozes contrastantes com o barítono de Berninger. A composição, em suma, torna-se mais complexa e não tão sincera, como talvez diriam os adeptos daquilo a que muitos chamam «college rock». O ouvinte impreparado agradece. Está diante de um dos álbuns mais desconcertantes do ano de 2017 — e é esse desconcerto que cativa.

138. Kazuo Ishiguro. 2017. O Gigante Enterrado. Lisboa: Gradiva.

138. Kazuo Ishiguro. 2017. O Gigante Enterrado. Lisboa: Gradiva.

Lauro Reis

O último romance do mais recente Nobel da literatura parte de uma premissa invulgar: um casal idoso, Axl e Beatrice, parte em busca de um filho do qual não se lembram, num mundo desconhecido, fantástico e hostil, povoado por dragões, ogres e cavaleiros da Távola Redonda. No decurso dessa jornada, o relacionamento entre Axl e Beatrice será testado, tanto pelas provações físicas que aquele mundo lançará, como pelas recordações que poderão emergir. A constante possibilidade de anagnórise por parte de ambos os protagonistas é o motor deste romance, um mecanismo usado como forma de humanizar as próprias personagens e a Grã-Bretanha imaginária onde se encontram, mas também como propulsor da acção para um desfecho ambíguo e alegórico.

137. E a Minha Festa de Homenagem? Ensaios para Alexandre O’Neill. 2018. Org. Joana Meirim. Lisboa: Tinta-da-China.

137. E a Minha Festa de Homenagem? Ensaios para Alexandre O’Neill. 2018. Org. Joana Meirim. Lisboa: Tinta-da-China.

Helena Carneiro

Este é um livro de ensaios no verdadeiro sentido do termo, com direito a notas de rodapé e citações devidamente referenciadas na bibliografia que acompanha a maior parte dos textos. É um livro académico, escrito por académicos. Além disso, resulta de uma actividade estritamente académica: a realização de conferências sobre um dado tema ou autor, neste caso um colóquio comemorativo dos trinta anos da morte de Alexandre O’Neill.

136. Gauguin L'alchimiste. 11 de Outubro de 2017 – 22 de Janeiro de 2018. Grand Palais, Paris. Exposição.

136. Gauguin L'alchimiste. 11 de Outubro de 2017 – 22 de Janeiro de 2018. Grand Palais, Paris. Exposição.

Marana Borges

Mulheres de pele morena à beira do mar. Algumas vezes sentadas, outras vezes em pares, compondo um plano de formas sinuosas e cores quentes. São tais imagens que nos vêm à tona ao falar de Paul Gauguin (1848-1903). O vocabulário para descrever o artista francês em geral acantona-se em poucas palavras: trópicos; Tahiti; exotismo. Posicionar-se contra esse reducionismo é o ponto forte de Gauguin, L'Alchimiste, exposição no Grand Palais que reúne duzentas e trinta obras, com empréstimos especiais do National Galery of Art (Chicago), do museu D'Orsay (Paris) e do Pushkin State Museum of Fine Arts (Moscou).

135. Mary Chase and Henry Koster. 1950. Harvey. EUA. 104 min.

135. Mary Chase and Henry Koster. 1950. Harvey. EUA. 104 min.

João N.S. Almeida

A comedy rooted in Irish folclore, Harvey is based on a play by the same name written by the relatively unknown playwright Mary Chase in 1944, in the midst of World War II. This somewhat provides the setting for her writing, although the plot does not directly reference the war. It portrays a middle-aged bachelor who is having what appears to be an hallucination about a giant rabbit named Harvey, who is accompanying him everywhere and is his close friend. The creature never makes a direct appearance, and is invisible to both the characters and the viewers. Although Harvey troubles his close relatives, it is far from being troubling for him, as it induces an opiate-like state where feelings of kindness and warmheartedness are nurtured. This premise could place the movie in the terrain of the farcical that can be found in some screwball or fantasy comedies of early Hollywood cinema. But there is something in the quasi-oneiric ambiguity of the plot that turns this apparently light-hearted comedy into a perhaps unintentional commentary on metafiction, with multiple layers, which I intend to analyze in this review. This is more evident in the movie, where James Stewart’s usual warm-hearted movie persona is used with effectiveness, than in the play, where the comedic elements are more recursive.

134. Simon Critchley. 2017. What We Think About When We Think About Football. London: Profile Books.

134. Simon Critchley. 2017. What We Think About When We Think About Football. London: Profile Books.

Telmo Rodrigues

In a book about playwriting (The Three Uses of the Knife), David Mamet suggests one goes to a football match in the hope of watching a perfect drama, where the team we support suffers a series of incidents before arriving at a final victory. Maybe the suggestion derives from American football (or American sports in general), which has a relatively shorter season than European football, normally stretching out for at least three quarters of the year; for one of the obvious objections to Mamet’s claim about what we desire when going to a football match would be to ask: how much suffering can I handle? Can I deal with such an emotional drama every week? Mamet believes the relationship spectators keep with a sporting event is similar to the one they keep with an entertainment show, which explains many strange things happening in sports these days. But most fans’ relationship with football, no matter if the European or American kind, is not of that type, and very rarely one goes to a match expecting anything other than our team’s victory — an outcome which might give us pleasure even when one has to endure through horrible playing.

133.  Damon Lindelof e Tom Perrotta. 2014-2017. The Leftovers. EUA: White Rabbit Productions.

133. Damon Lindelof e Tom Perrotta. 2014-2017. The Leftovers. EUA: White Rabbit Productions.

Tiago Clariano

The Leftovers é o título de uma série televisiva adaptada do romance homónimo de Tom Perrotta, e é uma mais-valia contar com o contributo do autor para a sua adaptação ao ecrã televisivo, em conjunto com Damon Lindelof, que se tornou popular através da produção da série Lost (2004-2010). A pedra de toque do enredo é o desaparecimento súbito de 2% da população da Terra, o que inicialmente deixa os restantes habitantes num estado horrorizado e a lidar com o mistério desse mesmo acontecimento. A expressão titular The Leftovers é utilizada quotidianamente para designar o que sobra das nossas refeições, os restos; não obstante e para o caso, uma melhor e menos literal tradução seria «os restantes», visto que a série retrata a vida dos que não desapareceram.

132. Daniil Trifonov. 2017. Chopin Evocations. Berlim: Deutsche Grammophon. 2 CD. 140 min.

132. Daniil Trifonov. 2017. Chopin Evocations. Berlim: Deutsche Grammophon. 2 CD. 140 min.

João Esteves da Silva & Tomás N. Castro

Daniil Trifonov é o pianista que importa ouvir hoje. Aos 26 anos, o músico de origem russa é inquestionavelmente o nome da nova geração pianística que mais tem surpreendido audiências e persuadido jurados de concursos. Sobre ele, Martha Argerich — uma das maiores pianistas vivas — disse nunca ter ouvido nada assim, e também a crítica não tem sido parca em elogios. Depois de ter estudado em Moscovo com Tatiana Zelikman, muda-se para os Estados Unidos da América, onde ainda vive, e tem estudado com Sergei Babayan em Cleveland. Em 2010, numa edição notável da Competição Internacional de Piano Chopin em Varsóvia, desperta as atenções ao obter o terceiro prémio e o galardão de melhor performance de mazurcas. No ano seguinte, ganha num curto espaço de tempo os primeiros prémios nas competições internacionais Arthur Rubinstein (Tel Aviv) e Tchaikovsky (Moscovo), assim como uma série de outras distinções associadas a estes concursos. Além dos estudos formais de piano, desde cedo revela um interesse particular pela composição, cujos frutos começam já a manifestar-se: prova disso é a Rachmaniana, uma peça para piano solo cujo nome descortina a sua evidente inspiração, e o seu próprio concerto para piano e orquestra, que tem sido apresentado em numerosas ocasiões.

 

131. MÓNICA CALLE. 2017. ENSAIO PARA UMA CARTOGRAFIA. LISBON & SINTRA FILM FESTIVAL. 60 MIN.

131. MÓNICA CALLE. 2017. ENSAIO PARA UMA CARTOGRAFIA. LISBON & SINTRA FILM FESTIVAL. 60 MIN.

Sofia A. Carvalho

Inquietante e desarmante. Pode ser esta uma primeira tentativa para captar a atmosfera de Ensaio para uma cartografia, de Mónica Calle, espectáculo de abertura do Lisbon & Sintra Film Festival’17 no Centro Cultural Olga Cadaval, uma produção da Casa Conveniente e Zona Não Vigiada, e co-produção do Teatro Nacional D. Maria II. Tendo sido ideado em 2013, aquando do encontro de Mónica Calle com a bailarina e coreógrafa Luna Andermatt, este projecto foi levado a cena em diferentes regiões de Portugal, conhecendo uma versão actualizada, estreada no Teatro Nacional D. Maria II, no primeiro trimestre de 2017.

130. DINIS MACHADO. 1989. REDUTO QUASE FINAL. LISBOA: BERTRAND EDITORA.

130. DINIS MACHADO. 1989. REDUTO QUASE FINAL. LISBOA: BERTRAND EDITORA.

Miguel Zenha

Os cerca de doze textos deste livro de Dinis Machado formam um objecto heterodoxo e dinâmico. Relevam, por exemplo, a importância que A Queda, de Albert Camus, continua a ter para si, em «As quedas», passando também pelo tipo de diálogo frenético que remete para o universo protagonizado pelo «rapaz» de O que diz Molero, em «Os rapazes dos livros, das fitas e da bola». Na badana da edição original — a última reedição, pela Quetzal Editores, é de 2009 e inclui Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel García Márquez — estão algumas coordenadas de leitura que o próprio Dinis Machado propõe e que convocam as ideias de «aparelhagem de ensaio literário», de «acção cronológica desencaixada» e acima de tudo «subentendida», a par da «diferença de velocidades: a visão, o tratamento, o tempo e o espaço que lhe correspondem» e nos quais se interligam aqueles «filtros de memória, laços, às vezes fios»; isso em contacto privilegiado com uma «área autobiográfica, esclarecida em funções narrativas que parecem afastar-se, mas que dela revelam». Livro cuja originalidade reclama novas leituras, dentre o seu conjunto destacarei os textos que me parecem mostrar com maior visibilidade o «fundo-forma», ou fio de horizonte, nele contido e que passa, como veremos, por uma aproximação singular ao mundo nas suas mais variadas manifestações.

129. JUDITH BUTLER. 2017. PROBLEMAS DE GÉNERO. LISBOA: ORFEU NEGRO.

129. JUDITH BUTLER. 2017. PROBLEMAS DE GÉNERO. LISBOA: ORFEU NEGRO.

Joana Graça

Existem livros que merecem ser traduzidos e lidos, por mais tempo que passe. Felizmente, Gender Trouble, de Judith Butler, é exemplo vivo disso mesmo. Não só pela extrema contemporaneidade do tema que desenvolve, mas pela seriedade e rigor que este ensaio revela. Assim, passados vinte e sete anos, o livro é pela primeira vez traduzido em português europeu. Problemas de Género, assim intitulado, chega até nós traduzido por Nuno Quintais e com uma introdução de João Manuel de Oliveira, editado pela Orfeu Negro.

128. Ruben Östlund. 2017. The Square. Suécia. 142 min.

128. Ruben Östlund. 2017. The Square. Suécia. 142 min.

Tomás N. Castro

Uma jornalista americana vai entrevistar o curador-chefe do X-Royal Museum, um museu de arte contemporânea instalado num palácio no centro de Estocolmo. Desajeitada, e pouco familiarizada com a realidade sobre a qual tem que escrever, começa as suas questões por generalidades. Os maiores desafios de um grande museu como este, fica-se logo a saber, são económicos; apresentar arte contemporânea, produções «absolutamente» de ponta, exige fundos significativos e a competição — informa-nos Christian (Claes Bang), o curador — é feroz. A entrevista decorre numa das assépticas salas de exposição, que tem uma parte do chão ocupada por pequenas pilhas de gravilha (ou detritos similares) e uma parede onde está um letreiro iluminado (que tanto poderá ter uma existência autónoma como fazer parte da lógica dos amontoados).

127. John Rawls

127. John Rawls

Pedro Tiago Ferreira

The aim of this review is to provide a brief overview of John Rawls’s philosophical work. I shall confine my analysis to his most famous and important ideas, gauged by the impact they have produced in academia. I believe such a task is important in order to provide an introduction to Rawls’s thought readable to people who have never read Rawls nor have technical knowledge of the subjects he discusses, and for this reason no novel interpretation of Rawls shall be offered here.